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Barulho de gerador motiva transferência de senador preso

- Atualizado: 17 Janeiro 2016 | 03h 00

Após queixa de Delcídio Amaral (PT-MS), petista é removido da Superintendência da PF para Batalhão de Policiamento de Trânsito

Após ter a detenção preventiva mantida pelo Supremo Tribunal Federal, no fim de dezembro, a defesa não desenhou uma nova estratégia para libertar o senador Delcídio Amaral (PT-MS) antes do fim do recesso do Judiciário. Amigos próximos do parlamentar afirmaram que, “nem que Jesus descesse para pedir sua liberdade”, o STF consideraria uma licença para as festividades de fim de ano. Dessa forma, os advogados desistiram de acionar o Supremo durante as férias e Delcídio completou um mês na prisão na manhã de Natal.

Nos primeiros 24 dias, o senador permaneceu em uma cela improvisada na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde dividia o banheiro com policiais e se queixava de um gerador instalado próximo à janela do quarto. Além das emissões de óleo diesel, o gerador, que era ligado principalmente à noite, fazia barulho e impedia Delcídio de dormir.

A pedido da defesa, ele foi transferido para o Batalhão de Policiamento de Trânsito do Distrito Federal. Um amigo próximo relatou que a nova acomodação é “mais humana e muito melhor”. O senador ocupa parte do alojamento de oficiais da Polícia Militar. Ali foi notificado da representação no Conselho de Ética do Senado, que pode levar à cassação do seu mandato. O senador leu o processo de cabo à rabo e discutiu com a defesa a possibilidade de se defender em liberdade. Em nenhum momento Delcídio considerou abrir mão do mandato.

Delcídio não considera abrir mão do mandato após prisão na Lava Jato
Delcídio não considera abrir mão do mandato após prisão na Lava Jato

Definido pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), como um “grande relações-públicas”, o petista adora conversar, mas teve as visitas limitadas a familiares, advogados e poucos amigos. Passa a maior parte do tempo envolto em livros dos mais variados, além de reportagens sobre acontecimentos do governo e matérias que envolvam o seu nome.

A seleção é feita pelo assessor Eduardo Marzagão. “Na situação dele, qualquer coisa que não seja uma boa notícia, vem com o peso triplicado”, afirma. Ele conta que tenta manter o senador informado, mas prefere não ser o portador de más notícias. 

Para lembrar. O senador Delcídio do Amaral (PT-MS) foi preso em 25 de novembro pela Polícia Federal, por ordem do Supremo Tribunal Federal. O senador foi detido por tentar barrar as investigações da Operação Lava Jato. Em conversa gravada pelo filho do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, Bernardo, que participou de uma reunião com Delcídio e o advogado da família, Edson Ribeiro, o petista sugeriu um plano de fuga para Cerveró, que está preso em Curitiba. Delcídio tinha receio de que o ex-diretor o envolvesse no esquema de propinas na estatal.

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