André Dusek/Estadão
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Barbosa diz que está disposto a ouvir sugestões e críticas

Ministro do Planejamento participou de palestra no Instituto Lula em meio aos embates do PT e do próprio ex-presidente com a política econômica do governo

Ricardo Leopoldo e Ana Fernandes, O Estado de S. Paulo

19 Outubro 2015 | 16h08

São Paulo - O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, disse que sua palestra sobre conjuntura econômica e cenários para 2015 e 2016 realizada nesta segunda-feira, 19, no Instituto Lula teve como foco "apresentar as ações de política econômica, o que a gente tem feito, quais são as perspectivas, o que a gente já enviou para o Congresso Nacional, e o que a gente espera em termos de retomada, de reequilíbrio fiscal".

A visita ao instituto do ex-presidente ocorre em meio ao embate do PT e do próprio Lula contra a política econômica adotada pelo governo Dilma e conduzida por Barbosa e pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Na semana passada, o PT criticou o atual titular da Fazenda e chegou-se a especular sua saída, mas no domingo Dilma afirmou, durante sua viagem à Suécia, que Levy fica no cargo.

O ministro também destacou que o objetivo de ter aceitado o convite do instituto Lula foi ouvir sugestões e críticas. Ele ouviu "várias sugestões de focar mais a política nos investimentos", principalmente os relacionados ao Programa de Aceleração do Crescimento e Minha Casa, Minha Vida. "Estamos procurando fazer dentro da nossa limitação fiscal, dos recursos que nos temos. Não é um espaço fiscal tão grande quanto achávamos que teríamos no passado, mas ainda assim permite fazer várias coisas", destacou Barbosa.

"No Minha Casa, Minha Vida, temos mais de 1,5 milhão de casas contratadas para serem construídas. É um programa ainda bem extenso, substancial, que pode contribuir para a recuperação do crescimento e do investimento no ano que vem." 

Retomada. Barbosa destacou que o governo está trabalhando "para a retomada do crescimento", puxada pelo investimento. "O primeiro passo para isso é estabilizar a situação macroeconômica. Ter uma perspectiva de estabilidade da taxa de câmbio, taxa de inflação, da taxa de juros. Isso dá maior previsibilidade para que as pessoas possam fazer planos  de longo prazo", disse.

"Uma recuperação sustentada do investimento exige obviamente um cenário menos incerto sobre o longo prazo. Isso passa inicialmente por uma estabilização macroeconômica", apontou o ministro. "Com as medidas que estão sendo tomadas para controlar a inflação,  a gente espera que a inflação cairá substancialmente no ano que vem", disse.

Barbosa também apontou que governo adotou ações para recuperar o resultado fiscal, "Já apresentamos várias medidas para atingir o superávit primário de 0,7% do PIB no próximo ano", disse.

"Então são os passos iniciais, mas não é só isso. Há um programa de investimento, de concessões em andamento. Há vários programas de investimento público, como o Minha Casa, Minha Vida, como o PAC", afirmou o ministro. "As obras de integração do São Francisco continuam andando.  A geste espera concluir esse projeto no final de 2016 ou inicio de 2017", disse. "Essa é a contribuição. É  focar principalmente no aumento do investimento para ter crescimento sustentado." 

CPMF. O ministro também voltou a defender a CPMF e disse que ela é "o plano do governo". "E trabalhamos com o Congresso para a aprovação", pontuou. De acordo com ele, a contribuição é "uma medida necessária para recuperar a receita do governo" enquanto o Poder Executivo trabalha em reformas mais estruturais do lado do gasto obrigatório. 

"A CPMF tem um custo, nós sabemos disso. Mas nós propusemos essa medida porque ela e necessária, não só para 2016, mas também para 2017, 2018 e 2019", comentou o ministro. "É uma medida que dá uma arrecadação para o governo, enquanto trabalhamos e submetemos medidas que vão controlar o gasto obrigatório, como por exemplo, o gasto da Previdência. E (as medidas) vão também dar uma melhora fiscal mais a médio prazo." 

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