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Barbosa anuncia saída antecipada do STF e faz mistério sobre carreira política

Mariângela Gallucci, Daiene Cardoso e Erich Decat - O Estado de S. Paulo - última atualização às 22h50

29 Maio 2014 | 15h 21

Magistrado que foi indicado por Lula em 2003 vai encerrar em junho trajetória no Supremo marcada pelas contestações por temperamento difícil e pelo protagonismo no julgamento do mensalão

BRASÍLIA - Após 11 anos no Supremo Tribunal Federal, período no qual foi alçado à condição de ministro mais popular e polêmico da Corte por seu papel no julgamento do mensalão, Joaquim Barbosa anunciou nesta quinta-feira, 29, a sua aposentadoria precoce. A decisão animou os partidos de oposição, que querem tê-lo como aliado.

O mandato de Barbosa na presidência do Supremo se estenderia até novembro deste ano. Aos 59 anos, ele ainda poderia permanecer na Corte até 2024, quando completará 70 anos, idade da aposentadoria compulsória. No anúncio feito nesta quinta, ele afirmou que vai deixar o tribunal no final deste primeiro semestre, ao recesso do judiciário, que começa em 1º de julho.

O ministro, indicado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que decidiu antecipar sua saída depois da viagem à Inglaterra e à França, em janeiro deste ano. "Meus planos imediatos são dois: primeiro ver a Copa do Mundo em Brasília, e o segundo é descansar", disse, esquivando-se de responder sobre a possibilidade de migrar para a política nos próximos meses. O prazo para que ele se filie e se candidate a um cargo nas eleições deste ano já acabou.

Os partidos de oposição, porém, buscam, no curto prazo, uma declaração de apoio do juiz que teve a imagem associada ao combate à corrupção ao mandar para a prisão antigos dirigentes do PT, partido do governo, condenados por corrupção. No longo prazo, buscam uma filiação.

Flerte. No interior de São Paulo, o pré-candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, foi rápido no assédio ao ministro e afirmou ter amigos em comum com Barbosa que poderiam servir de ponte para que ele se filiasse à legenda.

"Qual é o partido que não gostaria de ter um quadro como Joaquim Barbosa filiado?", afirmou. "No dia que ele deixar o STF, a partir do dia seguinte é que começa a possibilidade de se conversar, porque fora disso passa a ser um desrespeito à Suprema Corte e ao próprio ministro Joaquim Barbosa."

O coordenador da pré-campanha de Campos, Carlos Siqueira, admitiu que a sigla vai sondar o ministro nos próximos dias. "Temos de fazer essa sondagem para ver se ele quer a militância social ou a partidária", afirmou.

O PSDB do pré-candidato ao Planalto Aécio Neves fez chegar a amigos de Barbosa o interesse em tê-lo próximo na campanha. O PSDB já havia, no início do ano, oferecido a legenda ao ministro para disputar as eleições em outubro no Rio, onde Barbosa mantém domicílio eleitoral. Entretanto, a oferta não foi aceita.

Dia cheio. Barbosa foi pela manhã ao Palácio do Planalto para contar à presidente Dilma Rousseff sobre a aposentadoria. Em seguida, encontrou-se com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para fazer o mesmo. O ritual foi repetido com o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN).

À tarde, Barbosa comunicou aos colegas sua decisão no início da sessão plenária do STF. "Afasto-me não apenas da presidência, mas do cargo de ministro."

Barbosa elogiou o que chamou de "momento fecundo" do tribunal. "Tive a felicidade, a satisfação e a alegria de passar a compor esta Corte, no que é talvez o seu momento mais fecundo, de maior criatividade e de importância no cenário político-institucional do nosso País."

O ministro Marco Aurélio Mello aproveitou para elogiar Barbosa, principalmente no que se refere à condução do julgamento do mensalão, do qual foi relator.

Dono de personalidade beligerante, o ministro protagonizou ao longo de sua passagem pela Corte duelos verbais, principalmente com seu sucessor futuro na presidência do STF, o ministro Ricardo Lewandowski.

Foi "milimétrico" na estruturação do julgamento do mensalão, "fatiando" o processo, que culminou na condenação de expoentes do PT e do governo, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o ex-deputado José Genoino.

Recentemente, Barbosa chamou para si a responsabilidade de executar as penas do caso. Vinha sendo criticado no meio jurídico por impedir que condenados ao regime semiaberto trabalhem de dia antes do cumprimento de um sexto da pena.  

 

 

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