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Bancos afirmam ter agido de ‘boa-fé’

- Atualizado: 11 Janeiro 2016 | 04h 00

No ano passado, instituições entraram na Justiça, em São Paulo e Nova York, para cobrar da Schahin US$ 350 milhões

Em maio de 2015, os 12 bancos que constam da Representação Penal da Receita entraram com processos na Justiça de São Paulo e de Nova York para cobrar o dinheiro emprestado ao grupo Schahin. A exceção é o Deutsche Bank, que não concedeu financiamento. Em conjunto, alegam ter liberado US$ 500 milhões, mas ainda não receberam US$ 350 milhões. Inicialmente, cada um tinha contrato de crédito em separado com o Schahin. Teriam se organizado em bloco em 2009. O argumento é que o grupo Schahin já apresentava problemas financeiros e precisaram renegociar o pagamento dos empréstimos. Os maiores devedores – Itaú BBA, HSBC e Votorantim – lideraram a organização do grupo.

O Estado fez contato com a assessoria de imprensa de todos os bancos para que tivessem conhecimento sobre o conteúdo da reportagem e se colocou à disposição para publicar o seu posicionamento. Nos casos em que a instituição não tem assessoria, o Estado procurou a área de Relações com o Investidor ou sócios do negócio. A maioria, porém, optou por não comentar ou alegou estar impedido de fazer qualquer manifestação para preservar o sigilo bancário dos clientes.

Em nota enviada por sua assessoria de imprensa, o Itaú BBA declarou: “Informamos que em dezembro de 2009 o Grupo Schahin e um sindicato formado por diversos Bancos brasileiros e estrangeiros (dentre os quais o Banco Itaú BBA) celebraram operações no âmbito de um processo de reestruturação de dívidas da empresa, com garantia de recebíveis contra a Petrobrás. O Itaú Unibanco afirma que a operação foi feita de boa-fé, em condições normais de mercado e em total conformidade com as normas aplicáveis. Estamos totalmente à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações e prestar quaisquer esclarecimentos adicionais, nos termos da lei.”

O banco Bonsucesso declarou, também em nota, que “fez uma operação de crédito no Brasil para a Schahin Holding, em 2007, no valor de R$ 25 milhões. “Em 2009, o grupo Schahin apresentou dificuldades financeiras. Desde então, estamos tentando receber a dívida, que está sendo executada desde o final de 2014, e que foi contabilizada a prejuízo em nosso balanço de julho de 2015, no valor de R$ 29 milhões.” O Banco Bonsucesso recebeu apenas uma pequena parte da dívida e este recebimento foi realizado no Brasil. “Esclarecemos, ainda, que o banco Bonsucesso não possui nenhuma subsidiária fora do País.”

O Bradesco, em nota, disse que “segue princípios de governança aderentes às melhores práticas de mercado e em respeito às normas que regem o sigilo bancário, não comenta operações ou posições dos seus clientes”. O BicBanco, também em nota, declarou que “não comenta operações ou eventuais operações com clientes ou eventuais clientes”. O Pine adotou posicionamento idêntico e reforçou a lisura das operações com o grupo Schahin: “O Banco Pine nega qualquer irregularidade e reforça que toda e qualquer operação efetuada pelo banco segue a legislação vigente”.

HSBC, Santander, Deutsche Bank, Banco Votorantim e Banco ABC preferiram não fazer comentários. Um diretor do Tricury que atendeu a reportagem e não quer ser identificado disse que as operações com o grupo Schahin foram feitas dentro da lei.

No caso do banco Fibra, instituição controlada pela família Steinbruch, que não tem assessoria de imprensa e não atendeu a reportagem por telefone, o Estado buscou informações na CSN. O assessor de imprensa avisou que buscaria contato com um porta-voz do Fibra, que deveria entrar em contato com o jornal, o que não ocorreu até a conclusão desta edição.

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