Bancada do PT indica Maia para presidência da Câmara

Isolado com a articulação de correntes internas do partido e sem votos suficientes, Cândido Vaccarezza abriu mão da indicação

Denise Madueño / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 Dezembro 2010 | 20h08

A insatisfação dos petistas com a formação do ministério do futuro governo levou a bancada na Câmara a indicar o deputado Marco Maia (RS) para a presidência da Casa. Isolado com a articulação de várias correntes internas do partido e sem votos suficientes para entrar na disputa, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) abriu mão da indicação no início da noite desta terça-feira, 14. Maia acabou aclamado pela bancada.

 

Líderes petistas advertem que, mais do que uma troca de nomes, a escolha de Maia implica diretamente na governabilidade da administração Dilma Rousseff. Suscetível a pressões externas, Maia poderá ser um elemento de instabilidade na condução dos projetos de interesse da nova presidente no Congresso.

 

Os deputados não se esquecem da atuação de Maia no plenário da Casa durante o lobby dos policiais para a votação do projeto de criação do piso salarial para a categoria. Foi necessária uma ampla negociação para a retirada dos policiais das galerias que ameaçavam depredar o plenário, depois da desastrada condução do petista.

 

Vaccarezza é identificado como um "trator" que segura as dificuldades do governo na Casa. Com Maia, lideranças de oposição consideram que o PT terá de negociar mais com outros partidos a aprovação dos projetos na Câmara. Líderes partidários consideram que, com a indicação de Maia, haverá o lançamento de um nome alternativo para disputar com o petista o comando da Câmara em 1º de fevereiro do próximo ano, data da eleição.

 

A escolha de Maia tem mais significados. É uma derrota do grupo que sempre comandou o PT na Câmara, ligado ao presidente nacional do partido, José Eduardo Dutra. Maia e Vaccarezza pertencem à mesma corrente interna, Construindo um Novo Brasil (CNB), mas de grupos distintos.

 

Azarão

 

Maia entrou na disputa como um azarão e acabou canalizando todas as insatisfações dos petistas. A bancada de Minas Gerais não apoiou Vaccarezza, porque Patrus Ananias foi escanteado do primeiro escalão. A corrente interna Democracia Socialista (DS) ficou com Maia porque perdeu o Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) e ficou sem representação no Executivo. "A DS sepultou a eleição de Vaccarezza", afirmou o deputado André Vargas (PT-PR), um dos principais apoiadores da candidatura de Vaccarezza.

 

Para conseguir ser indicado, Maia contou com a participação do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), ex-presidente da Câmara. Ele inflou a candidatura do gaúcho, depois renunciou à sua própria candidatura e levou o seu grupo, Movimento PT, a apoiar o adversário. A corrente Mensagem ao Partido, que trabalha articulada com a DS, ficou também com Maia, que ainda tinha parte dos votos da CNB. Maia contabilizou 52 votos na bancada de 88 deputados.

 

"Eu devo ter errado muito, mas não me arrependo de ter defendido o governo e exercido a liderança com garra", disse Vaccarezza. O primeiro aceno de Maia para os deputados será a votação do projeto que aumenta em 61,83% o salário dos parlamentares, equiparando-o aos vencimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), R$ 26.723.

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