1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Avaliação de Pasadena levou 20 dias, diz jornal

IDIANA TOMAZELLI - Agência Estado

28 Março 2014 | 15h 26

A avaliação prévia da situação comercial e financeira da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), para orientar sua compra pela Petrobras, foi feita em prazo de cerca de 20 dias, segundo documento confidencial da própria estatal, datado de 31 de janeiro de 2006. Um procedimento padrão de "due diligence" (como o mercado chama a auditoria realizada para avaliar questões jurídicas, operacionais e financeiras em processos de fusões e aquisições) levaria de dois a três meses para ser concluído.

O documento foi revelado nesta sexta-feira, 28, pelo jornal O Globo. Em um dos anexos do documento, uma consultoria contratada pela estatal pouco antes da compra, a BDO Seidman, de Los Angeles (EUA), disse que, em razão do "tempo limitado", a estatal deveria buscar sua própria avaliação de dados.

A Petrobras comprou a refinaria da trading belga Astra Oil em 2006. Após litígio com o sócio e disputa judicial, a estatal foi obrigada a comprar a totalidade do negócio em 2012, pagando US$ 1,18 bilhão por toda a operação, que oito anos antes fora adquirida por US$ 42,5 milhões pelos belgas, como revelou o Broadcast, serviço de notícia em tempo real da Agência Estado, em julho de 2012.

Na semana passada, a presidente Dilma Rousseff confirmou, em nota ao jornal O Estado de S. Paulo, que aprovou o negócio quando era presidente do conselho de administração da Petrobras, mas alegou que a decisão foi tomada com base em "resumo executivo" falho, preparado pelo então diretor da Área Internacional da estatal, Nestor Cerveró.

O documento obtido pelo Globo mostra que, após a coleta de documentos e reuniões com diretores financeiros da Astra, a Petrobras teve de fazer nova avaliação em apenas cinco dias. Assinado por gerentes da área tributária e jurídica da estatal, o texto ainda recomendou a criação de uma cláusula responsabilizando a Astra por qualquer tributo devido em decorrência da reestruturação, para se eximir de possíveis passivos.