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Jonathan Ernst|Reuters

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Astro de 'House of Cards' quer distância de 'sujeirada' brasileira

Michael Kelly, que interpreta braço direito de Frank Underwood, evita dar opinião sobre a crise, mas diz acompanhar os problemas econômicos do País

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Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE BUENOS AIRES,
O Estado de S.Paulo

18 Março 2016 | 06h14

Doug Stamper, cão de guarda político de Frank Underwood, o inescrupuloso presidente americano da série 'House of Cards', desaconselharia uma viagem de seu chefe ao Brasil hoje. Michael Kelly, o ator que interpreta o assessor capaz de matar, mentir e até parar de beber para manter na Casa Branca o personagem vivido por Kevin Spacey, disse nesta quinta-feira, 17, ao Estado que tenta se informar sobre a crise brasileira, mas não a conhece o suficiente para opinar. Ele esteve em Buenos Aires nesta quinta-feira, 17, para promover a nova temporada da produção da Netflix.

Questionado se conhecia a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, "Doug" disse que não. "Eu não sei a diferença entre um e outro. Então chegar aqui e me meter nessa sujeirada toda não seria inteligente da minha parte", argumentou com gentileza, usando, isso sim, uma voz bem mais grave que a que caracteriza seu personagem. 

"Sabia dos problemas econômicos e estive lendo a respeito, mas não o suficiente para fazer um comentário político. Somos um programa, uma série de TV. Eu sei que "House of Cards" tuitou alguma coisa fazendo uma comparação (com o Brasil), mas não seria justo com as pessoas no Brasil eu opinar", disse Kelly. Ele negou ter criticado o candidato republicano Donald Trump, outra questão com a qual teve que lidar repetidas vezes ontem. O ator faz campanha pela democrata Hillary Clinton e disse ter se interessado mais por política desde que conseguiu o papel.

No início do mês, o serviço de transmissão pela internet colocou no ar em uma campanha de marketing com Frank Underwood em capas virtuais das revistas "Veja" e "Carta Capital". Em um de seus últimos tuítes, Underwood joga também com a tensão política brasileira ao afirmar que está de olho no noticiário. Os produtores já tinham recorrido à estratégia de misturar fatos políticos reais para atrair fãs do programa na Argentina, quando Mauricio Macri venceu a eleição, e na véspera de um debate eleitoral na Espanha.

Buenos Aires.

Ao ser questionado a que lugar Doug levaria o presidente americano em Buenos Aires - o gancho para a pergunta era a visita de Barack Obama, que estará na Argentina no próximo dia 23 -, ele recorreu à saída mais óbvia. "A um show de tango. Fui a um e achei espetacular, muito sensual", afirmou o ator, que visita pela primeira vez a América Latina e gostaria de ir ao Brasil.

Quando a pergunta foi sobre a conveniência de estender uma hipotética visita de Underwood ao Brasil, Kelly sorriu e recusou a oferta.

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