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Ato lembra torturas e pede punição a agentes

Roldão Arruda - O Estado de S. Paulo

31 Março 2014 | 21h 43

No DOI-Codi da rua Tutoia, em São Paulo, mil pessoas homenageiam os torturados no local, como Vlado e Vannuchi

São Paulo - Cerca de mil pessoas se reuniram na manhã desta segunda-feira, 31, diante do prédio que abrigou, nos anos da ditadura, a sede do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), do 2.º Exército, em São Paulo. Durante quase três horas, lembraram os 50 anos do golpe que depôs o presidente João Goulart, homenagearam as pessoas torturadas e mortas naquele local e pediram a revisão da Lei da Anistia, que impede a punição dos que cometeram violações de direitos humanos.

Em um dos momentos da homenagem, foi cantado o hino da Internacional Socialista, para lembrar os comunistas assassinados pelos militares.

O DOI-Codi funcionava no número 921 da Rua Tutoia, nos fundos do atual 36.º Distrito Policial, no Paraíso. Segundo informações da Comissão Estadual da Verdade Rubens Paiva, cerca de oito mil pessoas teriam passado por ali entre 1969 e 1978 - e cerca de 50 foram assassinadas.

Entre os mortos figuram o estudante Alexandre Vannuchi Leme (1973), que hoje dá nome ao Diretório Central dos Estudantes da Universidade de São Paulo (DCE-USP), e o jornalista Vladimir Herzog (1975). Nos dois casos os agentes tentaram acobertar os crimes, como acontecia comumente naquele local. Divulgaram a versão de que Herzog, que militava no Partido Comunista, havia se enforcado; e que Leme, da Ação Libertadora Nacional, fora atropelado numa tentativa de fuga.

‘Presente’. Na cerimônia de ontem, sob um toldo negro instalado no pátio que fica nos fundos do distrito policial, foram lidos os nomes dos mortos e desaparecidos. A cada um os presentes respondiam "presente" e erguiam cartazes com as fotos deles. Grupos de teatro e de dança apresentaram obras que retratavam o sofrimento do torturados. Também foi apresentada uma lista com os nomes dos militares que teriam praticado torturas. A cada um deles os participantes respondiam com o grito de "assassino".

O deputado Adriano Diogo (PT), presidente da Comissão Estadual e um dos principais organizadores do evento, esteve preso e foi torturado naquele local por 90 dias, em 1973. Ontem ele disse que havia três noites não conseguia dormir direito e que a volta ao prédio lhe causa problemas emocionais até hoje.

O ato de ontem também teve como objetivo aumentar a pressão para que o governador Geraldo Alckmin retire a delegacia do local. O edifício já foi tombado, no início deste ano, pelo Departamento do Patrimônio Histórico. Agora, porém, organizações de ex-presos e defensores de direitos humanos querem agora transformá-lo num memorial dos anos da ditadura.

 

 

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