Ato em SP poupa Cunha e pede que PMDB se posicione a favor do impeachment

Parte dos grupos anti-Dilma avalia que não há fatos suficientes contra o presidente da Câmara que tirem dele a legitimidade de conduzir o processo de afastamento da petista

O Estado de S. Paulo

18 Outubro 2015 | 21h18

SÃO PAULO - Um grupo de manifestantes realizou neste domingo, 18, um protesto contra a presidente Dilma Rousseff na Avenida Paulista, no centro da capital. O ato foi organizado para pedir o impeachment da presidente e o posicionamento do PMDB diante da condenação do governo pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no processo das pedaladas fiscais. 

 

"Nós não somos contra o PMDB. Queremos que o PMDB assuma a Presidência, inclusive. O partido só tem que se posicionar. Não dá para ficar em cima do muro: ou ele prova que é farinha do mesmo saco que o PT, ou prova que é a favor do povo", disse Carla Zambelli, porta-voz da Aliança dos Movimentos Democráticos, que organizou a manifestação deste domingo. A aliança integra os grupos Brasil Melhor, Acorda Brasil, Avança Brasil e o Movimento Civil XV de Março. Ela afirmou ainda que o protesto também tem por objetivo pedir que o vice-presidente, Michel Temer, presidente nacional do PMDB, se posicione. 

 

Ao ser questionada se as denúncias contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), não enfraqueceriam a pauta do ato, Carla afirmou que ele ainda não foi condenado e disse não entender o motivo de ninguém comentar sobre o presidente do Congresso, Renan Calheiros que também, segundo ela, já foi denunciado. "O Renan Calheiros foi denunciado há dois anos. E por que ninguém fala do Renan? Por que só querem falar da única pessoa que pode derrubar Dilma?", perguntou ela. "A hora que tiver uma coisa concreta, na hora que Cunha realmente for condenado, a gente começa a pensar. Contra a Dilma existe algo palpável. O TCU já julgou e ela foi condenada como criminosa." 

 

Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a abertura de outro inquérito para investigar Cunha no âmbito da Operação Lava Jato. O ministro e relator da Lava Jato no STF, Teori Zavascki, acolheu pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que solicitou que Corte investigue Cunha, a mulher dele, Claudia Cruz, e a filha Danielle da Cunha. O presidente da Câmara já foi denunciado pelo procurador-geral por corrupção e lavagem de dinheiro. Ele é acusado formalmente de receber propina de US$ 5 milhões referentes a contratos de aluguel de navios-sonda da Petrobrás firmados pela Diretoria Internacional da estatal, que era considerada cota do PMDB no esquema de corrupção. Cunha foi acusado de receber propina em depoimento do lobista Júlio Camargo - um dos delatores da Lava Jato - à Justiça Federal no Paraná.

O analista de sistemas André Antunes, coordenador do Movimento Civil XV de Março, afirmou que o protesto é o primeiro de vários outros planejados pelo País. Segundo ele, a ideia é levar pessoas paras as ruas todos os dias e chamar a mobilização de "Primavera Brasileira". "Querem ocupar as ruas no Brasil mostrando que o povo não vai aceitar qualquer acordo de Dilma com Cunha para evitar o impeachment", disse ele. Segundo os organizadores, o ato desse domingo contou com cerca de 70 pessoas. A Polícia Militar não informou o número de manifestantes. 

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