Ricardo Almeida//ANPr
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Associação defende delegado do caso do ataque à caravana de Lula

Entidade destacou falta de funcionários e rebateu críticas do governador Beto Richa ao policial

Edson Fonseca, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

29 Março 2018 | 18h30

CURITIBA (PR) - A Associação dos Delegados do Paraná (Adepol) saiu em defesa do delegado da Polícia Civil em Laranjeiras do Sul (PR), Wilkinson Fabiano de Oliveira Arruda, que atendeu a ocorrência envolvendo os tiros dados contra os ônibus da caravana de Lula. Em entrevista coletiva, a Adepol rebateu as declarações do governador Beto Richa sobre Arruda. De acordo com apuração do Estado, o policial foi afastado das investigações em razão de comentários sobre o caso.

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Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, Richa mostrou-se irritado com as críticas do delegado: “Fizemos a maior contratação de policiais militares, 11 mil policiais. Não tenho um orçamento suíço, como sugeriu o delegado. O Paraná tem das maiores elucidações de crimes, percentual que passa de 80%, comparado a país de primeiro mundo. Mas sempre tem os esquerdopatas no meio do funcionalismo”.

Após as declarações de Richa, Arruda divulgou uma nota, rebatendo o governador. “Este Delegado não foi em nenhum momento afastado de suas funções ou sofreu qualquer retaliação por parte da Polícia Civil ou outros órgãos governamentais em razão do enquadramento legal dado ao caso. A atuação deste Delegado no uso de suas atribuições legais são pautadas apenas na técnica jurídica, como convém a qualquer servidor público”, diz a nota. No texto, ele também reclamou da "extrema precariedade" da estrutura da Polícia Civil do Paraná. O policial disse que não há delegados suficientes para todos os municípios do Estado.

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De acordo com o relatório apresentado pela Adepol, durante a entrevista coletiva, existem mais de 3 mil cargos vagos na Polícia Civil do Paraná, sendo 376 de delegados.

“A Polícia Civil do Paraná passou por um sucateamento nos últimos 20 anos e a maior contribuição do governo Beto Richa será a sua saída do cargo no próximo dia 6”, completou Andrade. O delegado afirma também que existe uma boa perspectiva para o próximo governo, uma vez que já estão sendo mantidas conversações com a vice-governadora, Cida Borghetti, que assume o cargo no próximo dia 7.

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Para a Associação, o fato mais relevante sobre a falta de estrutura da Segurança Pública do Paraná é o relatório do Tribunal de Contas do Estado, que aponta uma superlotação de 195% nas carceragens das delegacias do Estado, ou seja, tem três vezes mais presos do que a capacidade. “Este fator transforma os policiais em carcereiros, sem que haja condições para se dedicar à tarefa das investigações, conforme é nossa atribuição”, afirma o secretário da Adepol, delegado Pedro Felipe de Andrade.

Homicídio. Em sua nota, Arruda afirmou que tratar o caso como tentativa de homicídio é o procedimento padrão dado a este tipo de ocorrência. Richa classificou a declaração do delegado como “precipitada”. 

“Não há precipitação alguma em concluir o óbvio, que se há disparo de arma de fogo em direção a diversas pessoas em um ônibus, isso será considerado, em um primeiro momento, tentativa de homicídio, aqui e em qualquer lugar do mundo, embora se respeite opiniões diversas, desde que juridicamente fundamentadas”, justifica o delegado.

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