Assessor de Serra critica política energética de Lula

O consultor David Zylbersztajn, que representa o candidato José Serra (PSDB) em suas propostas na área de energia, fez hoje duras críticas à forma como o Estado se fortaleceu no setor energético durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele alertou para o fato de que o País está "saltando de um clube a outro" ao assumir posturas estatizantes em algumas áreas, em especial na de petróleo.

KELLY LIMA, Agência Estado

03 Agosto 2010 | 13h47

"A criação da estatal do pré-sal é uma das maiores barbaridades já vistas no mundo. Não há nada que indique que o governo vai ganhar mais com o modelo de partilha do que com o de concessão. E assumindo este novo modelo, estamos saltando de maneira arriscada de um clube que integra Noruega, Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, para outro extremo onde estão Iraque, Arábia Saudita, Nigéria e Líbia. Alguma coisa isso deve significar", disse em palestra durante o primeiro dia do Energy Summit, evento que acontece até quinta-feira no Rio.

De acordo com Zylbersztajn, pelo novo modelo, o Estado vai se transformar numa "trading, comprando e vendendo petróleo". "Na verdade, o Estado não. Mas pessoas indicadas sei lá por qual partido, por quais políticos, já imaginou o que é que isso vai dar?", indagou à plateia, completando em seguida que não estava dizendo que (estas pessoas) "serão corruptos, mas sim que a janela para a corrupção é enorme". "Podem ser pessoas de absoluta integridade, como podem ser pessoas vendidas, que é o que a gente está acostumado a ver aqui no Brasil", completou.

Agências reguladoras

Para o consultor, o Estado tem que ter participação indireta na economia e não "comprando e vendendo". Ele também criticou o que chamou de "aparelhamento das agências reguladoras" e concluiu dizendo que há certa confusão no atual governo sobre a definição exata de qual é o papel de um Estado forte. "Não tem esta baboseira de dizer que é neoliberal, ou que não é. A participação do Estado é fundamental para criar base para um país desenvolvido. Sem um Estado forte e moderno o País não avança. Mas Estado forte e moderno não é necessariamente um Estado comercial", disse.

O consultor deixou o evento sem responder aos jornalistas e dizer de que forma o governo do PSDB lidaria, se eleito, com o novo contrato de partilha, já aprovado pelo Congresso e Senado. De acordo com a organização do evento, os outros partidos que concorrem à Presidência da República, o PT e o PV, receberam o convite para enviar seus representantes na área de energia para debater suas propostas, mas não confirmaram presença.

Concessões

David Zylbersztajn afirmou também que é intenção do PSDB, caso eleito, renovar as concessões de hidrelétricas que vencem a partir de 2015. Em sua opinião, a medida preservaria o valor dos ativos e garantiria estabilidade e previsibilidade ao setor. "O espírito do governo Serra é o de renovar as concessões. Vamos fazer isso, a não ser que algum empreendimento ou gerador não mereça, não esteja atendendo às expectativas de qualidade", disse Zylbersztajn.

Ele completou dizendo que, em sua opinião, o atual governo tem o mesmo pensamento e não há discordância entre os candidatos. "Minha opinião é a de que o governo atual também pensa dessa forma", disse.

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