Ueslei Marcelino
Ueslei Marcelino

Após voto na CCJ, PMDB tira cargos de relator

Zveiter, que deu parecer contra Temer, perde função e pode ainda sair de comissão

Daiene Cardoso e Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

15 Julho 2017 | 05h00

BRASÍLIA - Em retaliação ao voto pela admissibilidade da denúncia contra o presidente Michel Temer, o PMDB tirou o deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ) da função de vice-líder do partido na Câmara e de coordenador da bancada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Com a pressão dos peemedebistas, o próximo passo deve ser substituí-lo na comissão, considerada a mais importante da Casa.

O líder da bancada, Baleia Rossi (SP), admitiu a possibilidade de destituir Zveiter da comissão. “Vamos fazer essa avaliação. Eu poderia ter feito essa troca assim que ele foi escolhido como relator. Achei que não era o momento razoável. Agora existe uma determinação do partido para que os deputados em plenário acompanhem a decisão da legenda”, disse. 

O partido, com essas medidas, pode impedir Zveiter de ser potencial relator de novas denúncias que são esperadas contra Temer na Câmara, como por obstrução da Justiça e organização criminosa. O PMDB também fechou questão e seus deputados terão de votar contra a denúncia no plenário, sob o risco de serem punidos com suspensão de até três meses. Como os parlamentares estão entrando em recesso, a mudança na CCJ deve ocorrer só em agosto.

O deputado fluminense não foi informado oficialmente pelo partido sobre a perda das funções na bancada. Ele ficou sabendo pelo Estado. Zveiter disse que defenderá no dia 2 de agosto, quando a denúncia será submetida ao plenário da Câmara, os mesmos argumentos usados em seu parecer. “Vou defender meu voto lá”, afirmou.

O parecer de Zveiter foi derrotado na CCJ por 40 votos a 25. Apenas o presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), se absteve. O voto vencedor foi do tucano Paulo Abi-Ackel (MG), que apresentou um parecer contra a admissibilidade. Zveiter se negou a votar e o texto do tucano foi aprovador por 41 a 24, com o voto do suplente Lelo Coimbra (PMDB-ES).

Reatando laços. Após contrariar o Palácio do Planalto ao escolher um relator independente para analisar a denúncia e não abrir mão de promover dois dias de debates na CCJ, Pacheco não deve sofrer consequências como as impostas a Zveiter.

Na avaliação do PMDB, o deputado mineiro foi correto com o cumprimento dos prazos e conseguiu convencer Zveiter a não pedir mais um dia de prazo para modificar seu parecer, como sugeriu a oposição. Para os peemedebistas, Pacheco se redimiu ao não estender a discussão e concluir a apreciação na CCJ um dia após o vencimento do prazo de cinco sessões plenárias.

Ainda que pudesse votar na sessão da CCJ, Pacheco preferiu não revelar seu voto agora, mas avisou que votará no plenário. Embora o deputado tenha dado sinais para a oposição de que votará a favor da denúncia, o PMDB coloca o mineiro na lista de parlamentares que votarão contra o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Fontes contam que, ao ler a denúncia, Pacheco teria dito que o pedido não tinha fundamento.

Durante toda a tramitação da primeira denúncia contra Temer, Pacheco se colocou como um parlamentar independente na comissão e em algumas situações se mostrou alinhado com a oposição, principalmente quando resolveu pautar a proposta de emenda à Constituição (PEC) que propõe eleições diretas em caso de vacância da Presidência da República. Na pressão para influenciar a escolha do relator, colegas de bancada chegaram a ameaçá-lo com pedido de expulsão e até mesmo inviabilizá-lo na presidência da CCJ.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.