1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Mensalao

Após ser preso, Jefferson passa por exames de saúde e é levado para Niterói

Marcelo Gomes e Luciana Nunes Leal - O Estado de S. Paulo

24 Fevereiro 2014 | 19h 56

Delator do mensalão chegou à tarde na capital fluminense, onde passou por duas avaliações médicas e só foi encaminhado para o Instituto Penal Ismael Pereira Sirieiro, em Niterói, no final do dia

O ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), delator do mensalão e condenado a sete anos e 14 dias de prisão em regime semiaberto pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, foi preso pela Polícia Federal às 12h21 desta segunda-feira, 24, em sua casa em Levy Gasparian, no interior do Rio.

Conduzido ao Rio de Janeiro, Jefferson fez exame no Instituto Médico-Legal (IML) e foi encaminhado ao presídio Ary Franco, em Água Santa, na zona norte do Rio, onde chegou às 16h15. A unidade é a porta de entrada dos presos pela PF ao sistema carcerário do Estado do Rio.

Depois o ex-deputado foi submetido a novo exame de saúde, desta vez na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Hamilton Agostinho Vieira de Castro, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na zona oeste, de onde foi encaminhado para o Instituto Penal Ismael Pereira Sirieiro, em Niterói, na Região Metropolitana, por ter melhores condições para o regime semiaberto.

Condenado no mesmo processo em que seu principal opositor, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT-SP), Jefferson recebeu pena de 10 anos e 10 meses e foi preso 101 dias após Dirceu, cujo mandado de prisão saiu em 15 de novembro.

Após ser preso, Jefferson disse que não se arrepende da denúncia que fez sobre o esquema do mensalão, em 2005, durante o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para ele, após o episódio, que resultou na cassação de seu mandato e posterior condenação à prisão, "o Brasil melhorou". "A imprensa fiscaliza mais e os políticos melhoraram seu comportamento. Não dá mais para brincar com a opinião pública", afirmou Jefferson.

O ex-deputado não quis revelar se considera justa sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Perguntado se seria conduzido ao Rio em um carro da polícia, Jefferson respondeu: "Não tenho o que esconder. Estou preso e condenado. Vou em uma viatura descaracterizada sem nenhum problema. Mas isso foi uma gentileza da PF. Eu não me importaria de descer (para a capital) em um camburão. Não sorrio da Justiça e não vou debochar do papel de vocês (jornalistas)." O delator do mensalão disse que encara sua prisão "com serenidade, equilíbrio, paciência e humildade". "Tenho que passar por isso.

Estou levando todos os meus laudos e a última tomografia. Assim que eu der entrada na PF, eles terão acesso ao meu histórico médico", afirmou Jefferson, que segue dieta rigorosa depois de se tratar de um câncer no pâncreas.

Apesar de ter sido condenado no regime semiaberto, Jefferson disse que ainda não tem nenhuma proposta de emprego, que permite deixar a prisão durante o dia. "Não adianta eu dar uma de José Dirceu, que pediu para trabalhar em um hotel com salário de R$ 20 mil, não conseguiu nada", disse Jefferson sobre o mesmo tema, pelo microblog Twitter, citando o ex-ministro da Casa Civil que cumpre pena na Penitenciária da Papuda, em Brasília.

Jefferson informou que as negociações para a venda de seu escritório no centro do Rio estão bem encaminhadas. O dinheiro será usado para pagar parte da multa de R$ 720 mil imposta pelo STF. O restante, segundo ele, será obtido com doações de correligionários do PTB.

O ex-parlamentar disse que está levando para a cadeia dois livros: a Bíblia e um que conta a história da humanidade no século XX, cujo nome não se recordou. "Não sou melhor do que ninguém. Não sou santo. Tenho defeitos, mas também virtudes. Eu trato bem as pessoas", disse.

Enquanto esperava a prisão, Jefferson também se manifestou pelo Twitter. O ex-deputado disse que ainda não sabia em qual presídio cumprirá pena, mas afirmou que ir para Brasília seria "um desastre", pois estaria longe dos médicos que o atendem desde o tratamento contra câncer de pâncreas.

Assinada na sexta-feira pelo presidente do STF, Joaquim Barbosa, a ordem de prisão foi entregue no fim da manhã desta segunda pelo Supremo à Polícia Federal, em papel. A PF digitalizou o documento e enviou por e-mail à Superintendência da PF no Rio. Policiais encaminharam a mensagem a um agente que fazia plantão na frente da casa de Jefferson. O agente entrou na casa, com autorização do ex-deputado, e imprimiu o mandado, então assinado por Jefferson.

Mensalao