MARCIO RIBEIRO
MARCIO RIBEIRO

Após reunião nesta terça, Temer quer dar como encerrado episódio de ministro da Justiça

No domingo, 25, Alexandre de Moraes deu declaração em que supostamente antecipou nova fase da Lava Jato

Carla Araújo e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2016 | 15h34

O presidente Michel Temer reuniu-se na manhã, desta terça-feira, 27, no Palácio do Planalto, com o ministro da Justiça e Cidadania, Alexandre Moraes, para reforçar a mensagem de que é preciso tomar cuidado com as declarações públicas, principalmente em agendas de campanha. A “bronca” dada pelo presidente aconteceu por conta das declarações de Moraes, divulgadas pelo Estado no domingo, 25, de que a Operação Lava Jato teria uma nova fase nesta semana. Na segunda-feira, 26, a força-tarefa culminou com a prisão do ex-ministro Antonio Palocci.

Segundo fontes do Planalto, a conversa foi rápida e a intenção do governo é tentar dar o episódio como encerrado para poder afastar a crise - causada por uma suposta antecipação da Lava Jato - do governo. O risco de demissão do ministro, pelo menos até o momento, está afastado. Temer reforçou a Moraes que declarações polêmicas atingem o governo e devem ser evitadas.

A conversa não constou na agenda de nenhum dos dois e aconteceu antes da revelação, também feita pelo Estado, de que Moraes reuniu-se com o superintendente regional da Polícia Federal em São Paulo, Disney Rosseti, na sexta-feira, 23, dois dias antes da fala polêmica. O encontro com o superintendente da PF ocorreu na sede do Departamento de Polícia Federal da capital paulista e, conforme divulgado pela agenda oficial do ministro, durou uma hora.

Por meio de sua assessoria, Moraes afirmou que no encontro com Disney Rosseti foram tratados pelo menos três assuntos: "tráficos de drogas e armas, inclusive trabalho conjunto com a Polícia Civil e Militar; fiscalização de empresas de valores (em virtude do aumento de roubos com explosivos e armamento pesado); e aperfeiçoamento da legislação sobre guarda de armas em estabelecemos bancários, em virtude do grande número de roubos de armamento das empresas de segurança privada". Procurada, a assessoria de imprensa do Departamento da Polícia Federal de São Paulo ainda não se manifestou sobre o encontro.

'Infeliz coincidência'. No domingo, Moraes falou durante evento de campanha de Duarte Nogueira à prefeitura de Ribeirão Preto (SP), em uma conversa com integrantes do Movimento Brasil Limpo (MBL), que uma nova etapa da Operação Lava Jato seria deflagrada nesta semana. “Teve a semana passada e esta semana vai ter mais, podem ficar tranquilos. Quando vocês virem esta semana, vão se lembrar de mim”, disse.

Na segunda-feira, após a operação que prendeu Palocci, Temer chamou o ministro para uma conversa no Palácio do Planalto para cobrar dele mais explicações. Moraes, porém, estava em São Paulo e os dois conversaram pelo telefone. Temer teria aceitado as explicações de que se tratou de uma "infeliz coincidência".

Moraes vai participar do encontro com ministros e deputados da base aliada no Palácio da Alvorada na noite desta terça. Temer ainda tem a intenção de fazer uma reunião "de alinhamento" com os ministros, a fim de amenizar as seguidas crises causadas por declarações "desnecessárias" e consideradas prejudiciais ao governo.

Tranquilidade. O senador Aécio Neves afirmou nesta terça-feira, 27, após encontro com o presidente Michel Temer - que não estava previsto na agenda oficial - que, apesar de não ter tratado da polêmica envolvendo o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, o presidente estava bastante tranquilo em relação ao tema.

"Vi um presidente absolutamente tranquilo, dizendo que esse assunto está superado, como para nós está superado", afirmou. "Essa não foi a pauta da minha reunião, até porque esse assunto está absolutamente superado. Há hoje uma ciência no Brasil inteiro de que o ministro Alexandre Moraes não apenas apoia a Lava Jato, como tem dado a Polícia Federal, e é essa a sua função, absoluta independência para fazer o seu trabalho", completou.

Para Aécio, as críticas em relação ao ministro da Justiça - que faz parte do PSDB - são feitas pelo PT. "A grande verdade é que o PT tem encontrado grandes dificuldades para entrar nos méritos das acusações que vem sendo feita aos seus vários líderes e tenta no último recurso politizar uma questão", afirmou. O senador mineiro veio discutir sobre Bolsa Família com o presidente. O tucano pediu apoio do governo para votação de dois projetos de sua autoria que tratam do programa.

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