Após retirada de assinaturas, Câmara enterra CPI da Navalha

´Para mim, isso acabou. Não quer instalar, não instala,´ desabafa Júlio Delgado

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 12h55

O requerimento que pede a criação da CPI da Navalha, protocolada pela segunda vez nesta terça-feira, sofreu quatro baixas e não deve sair do papel. O deputado Clodovil Hernandes (PTC-SP) e mais três parlamentares retiraram suas assinaturas nesta quarta-feira, 20. O requerimento passa a contar com 167 assinaturas, quatro a menos que as 171 necessárias para realizar a instauração da comissão de investigação. A CPI da Navalha seria destinada a investigar a máfia das obras públicas, desmantelada pela Policia Federal, no dia 17 de maio. Delgado mostrou-se indignado com a retirada e afirmou que não vai mais se esforçar para mobilizar a idéia da CPI para investigar as fraudes em obras públicas. "Para mim, isso acabou. Não vou ficar mais (coletando assinaturas), já que não quer instalar (a CPI), não instala, chega´´, diz o deputado. No dia 5 de junho, Delgado havia obtido as assinaturas necessárias para a criação da CPI, mas o pedido não foi protocolado porque quatro deputados também retiraram sua assinatura. Os deputados responsáveis pela coleta das assinaturas acusaram o governo de manobrar para impedir a CPI. No dia 14 de junho, os deputados responsáveis pela coleta das assinaturas acusaram o governo de manobrar para impedir a CPI e já prevêem uma operação da base governista para retirar alguns dos apoios e inviabilizar a investigação. "Padre Antônio Vieira diz que até numa sociedade de ladrões há um mínimo de ética", disse o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), referindo-se à possível retirada de assinaturas do requerimento. Operação Navalha A Polícia Federal deflagrou no dia 17 de maio a Operação Navalha, contra fraudes em licitações de obras do governo - incluindo projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Luz Para Todos. Segundo a PF, 47 pessoas foram presas. Entre os envolvidos, estão políticos como governador do Maranhão, Jackson Lago, seus sobrinhos, Alexandre Lago e Francisco de Paula Lima Júnior e o governador de Alagoas, Teotônio Vilela. O ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeu pediu demissão do cargo após ser acusado de receber R$100 mil em propina da Gautama, pivô da Operação.

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