Após reforma, partidos da base desenham novo bloco na Câmara

PR, PSD e PROS articulam formação de grupo com 79 deputados que ficaria atrás apenas da bancada de siglas que romperam com PMDB

Daniel Carvalho, O Estado de S. Paulo

07 Outubro 2015 | 12h54

BRASÍLIA - O rearranjo ministerial conduzido pela presidente Dilma Rousseff continua tendo reflexos no Congresso. Além da destituição do líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), da liderança do bloco formado até então por PMDB, PP, PTB, PSC, PHS, PEN, três partidos da base governista, PR, PSD e Pros, estão em conversas avançadas para formar um bloco.

Caso as negociações prosperem, o novo bloco terá 79 deputados, tornando-se o segundo maior grupo da Casa, já que, com a saída do PMDB, o outro bloco terá 84 representantes, mantendo-se na liderança.

O grupo deve manter a postura governista, mas deixa o Planalto em alerta por causa de insatisfações com a reforma ministerial e de manifestações críticas feitas hoje de maneira isolada.

O líder do PSD, por exemplo, já protagonizou bate-boca com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e apresentou requerimento para que ele vá ao plenário da Câmara explicar a crise política. Pressionado pelo governo, Rosso retirará seu requerimento, mas conseguiu a garantia de que Levy dará explicações aos parlamentares na próxima quarta-feira, 14, de maneira "voluntária".

O novo bloco não terá mais poder de fazer indicações em comissões, por exemplo, mas garante representatividade na Câmara e poderá orientar votações.

Rodízio. Líderes de PP, PTB, PSC, PHS e PEN vão se reunir no início da tarde desta quarta-feira, 7, para discutir como se dará o rodízio que farão entre eles no comando do bloco parlamentar que, até essa terça, também era integrado pelo PMDB. O líder do grupo, o também líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), foi convidado a deixar o bloco, após sua adesão ao governo. Para ter uma "saída honrosa", o peemedebista anunciará que está deixando o grupo.

Integrantes do grupo têm uma pauta ampla de queixas a Picciani: há aqueles incomodados com o espaço conquistado por ele na Esplanada dos Ministérios, os que reclamam da falta de rodízio no comando do grupo e os que condenam o fato de o peemedebista "só dizer amém" ao governo.

A ação para encerrar a aliança, segundo integrantes do governo e lideranças partidárias, foi operada nos bastidores pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), como forma de "estancar" a ascensão política de Picciani ocorrida após a ampliação da presença do PMDB no primeiro escalão do governo.

Na análise de governistas ouvidos pela reportagem, a manobra de Cunha busca inicialmente rachar o bloco para depois dividir a bancada do PMDB na Câmara, o que resultaria no enfraquecimento de Picciani. Dessa forma, o líder peemedebista também ficaria inviabilizado para disputar a Presidência da Câmara em uma possível dobradinha com o PT em 2017, quando Eduardo Cunha encerra o mandato no comando da Casa. Picciani também não teria força para substituir Cunha, como deseja o Palácio, numa eventual saída do presidente da Câmara em decorrência dos desdobramentos da Operação Lava Jato.

Além da dissolução do bloco, em uma segunda ação direta contra Picciani, alguns integrantes da bancada ligados a Cunha também chegaram a ensaiar ontem uma manobra para destitui-lo do cargo, ação que foi abafada após se avançar a estratégia de se dividir o bloco. Procurado pela reportagem, Cunha se limitou a dizer que atuou para ajudar na permanência de Picciani na liderança.

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