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Após protestos, sessão sobre golpe na Câmara termina

DAIENE CARDOSO E EDUARDO BRESCIANI - Agência Estado

01 Abril 2014 | 13h 05

A sessão solene na Câmara dos Deputados alusiva aos 50 anos do Golpe Militar foi encerrada nesta terça-feira, 1, após protestos dos participantes contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). O parlamentar se preparava para fazer seu discurso quando a plateia se virou de costas para a mesa. "A vitória foi impedi-lo de falar", resumiu a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

Bolsonaro teria direito a um pronunciamento na tribuna por também ter proposto o evento. Ao se posicionar para discursar, a plateia se virou de costas em protesto contra o parlamentar, que já havia estendido uma faixa na galeria com os dizeres: "Parabéns, militares - 31 de Março de 1964. Graças a vocês, o Brasil não é Cuba". A manifestação de Bolsonaro causou tumulto na sessão, que chegou a ficar suspensa por alguns minutos.

Enquanto observava o protesto da plateia, Bolsonaro reclamou que estava sendo discriminado, mas seguiu com as provocações. "Mais importante que eu só o que os militares fizeram pela democracia", afirmou. O presidente da sessão, deputado Amir Lando (PMDB-RO), chegou a apelar para que os presentes, que não queriam ouvir o discurso de Bolsonaro, deixassem o plenário e retornassem depois. O peemedebista criticou a postura da plateia por "desrespeitar" a mesa e a instituição. Sem conseguir convencer a plateia, Lando foi instruído pela Secretaria Geral da Mesa Diretora a encerrar a sessão, o que deixou outros seis deputados inscritos sem se pronunciar na tribuna.

O evento foi marcado por tumulto durante toda a manhã. Antes do início da sessão, deputados reclamaram do acesso restrito e o evento acabou atrasando. Alguns participantes levaram cartazes em protesto contra e a favor da ditadura. Os defensores dos desaparecidos políticos levaram um cartaz com os dizeres: "A voz que louva a ditadura calou a voz da cidadania".