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Após novos atritos, Zelotes retoma audiências na próxima semana com oitiva de ex-ministros

- Atualizado: 28 Janeiro 2016 | 20h 53

O terceiro dia de depoimentos de testemunhas novos embates entre defesa e Ministério Público; na semana que vem, Miguel Jorge e Guido Mantega devem ser ouvidos

BRASÍLIA - O terceiro dia de depoimentos de testemunhas da Operação Zelotes foi marcado por novos embates entre defesa e Ministério Público, audiências breves e expectativa sobre os depoentes da semana que vem. Das 13 testemunhas agendadas para hoje, apenas sete prestaram esclarecimentos à 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília. O restante teve depoimento adiado. A previsão é de que as audiências sejam retomados a partir da próxima terça-feira, 2. Na semana que vem, devem ser ouvidos dois ex-ministros dos governos Lula e Dilma. 

Nas audiências desta quinta-feira, 28, um novo atrito foi protagonizado pelo procurador da República Frederico Paiva e advogados dos réus. O defensor de Halysson Carvalho Silva, que é acusado de praticar crime de extorsão no esquema, alegou que o cliente estava sendo assediado para fechar um acordo de delação premiada.

“Halysson Carvalho Silva não quer delatar, não vai delatar e não possui nada a delatar. O senhor falou com ele à minha revelia”, afirmou o advogado João Alberto Soares Neto. Paiva rebateu: “O MPF lamenta a estratégia da defesa que busca de maneira antiética distorcer os fatos. (…) É lamentável o que está acontecendo aqui. Teu pai é advogado, sempre agiu com ética, e o que estou vendo aqui é o total menosprezo a qualquer tipo de ética por parte dos advogados aqui, sujeitos ao Estatuto da Advocacia. Eu peço que represente à OAB e encaminhe a fala do doutor à OAB para as providências cabíveis”. 

O advogado Marcelo Leal engrossou as críticas de Soares Neto. “A defesa do doutor João Alberto é legítima”. “A defesa do doutor João Alberto, Marcelo, agiu com extrema deslealdade ao dizer que eu estou fazendo barganha”, respondeu o procurador. “E o senhor não fez?”, retrucaram advogados, que disseram que Paiva já foi ao complexo da Papuda sugerir a delação a presos na Zelotes. 

Depoimentos - Foram colhidos nesta quinta depoimentos de testemunhas arroladas pelas defesas de Fernando César Mesquita, Lytha Spíndola e Vladimir e Camilo Spíndola. Mesquita foi porta-voz da presidência da República no governo Sarney e já exerceu o cargo de Secretário de Comunicação do Senado. De acordo com as investigações, ele trabalharia com o lobista Alexandre Paes dos Santos, o 'APS', um dos envolvidos na negociação das MPs e preso desde outubro. 

Já Lytha Spíndola é ex-assessora da Casa Civil e ex-secretária executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex). Para a acusação, ela recebeu vantagens indevidas no esquema. Entre 2010 e 2014, segundo as investigações, Lytha recebeu R$ 2 milhões da M&M, a Marcondes e Mautoni Empreendimentos e Diplomacia Corporativa Ltda, empresa do lobista preso na Zelotes.

As oitivas de testemunhas tiveram início na segunda-feira. Todos foram arrolados por acusados de participar do esquema de “compra” de medidas provisórias que beneficiaram montadoras de veículos, revelado pelo Estado. Corre em segredo de justiça, em paralelo à ação penal que tramita na 10ª Vara, um inquérito que continua com as investigações sobre o caso. Por essa razão, algumas testemunhas são ouvidas mais de uma vez.

Está marcada para terça-feira, 2, a oitiva do ex-ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Miguel Jorge. Em depoimento no último dia 16 à Polícia Federal, ele admitiu ter levado ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2008, um pedido do lobista Mauro Marcondes Machado, preso sob suspeita de intermediar a "compra" de MPs no governo federal. A solicitação se referia ao adiamento de uma norma ambiental que não interessava ao setor automotivo, que ele representava.

Na quinta-feira, 4, será a vez do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega prestar esclarecimentos na ação penal. A oitiva irá ocorrer por meio de videoconferência. Hoje, 28, Mantega já prestou um depoimento sobre a Zelotes na Polícia Federal em São Paulo, desta vez no inquérito sigiloso que corre paralelamente à ação em curso.

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