Após nove dias, compadre de Lula deixa prisão em MS

O suposto chefe da máfia dos caça-níqueis e oito acusados permanecem presos

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h40

Dario Morelli, compadre do presidente Luiz Inácio da Silva, deixou o Presídio Federal de Campo Grande por volta das 20 horas desta quarta-feira, 13. Outros oito acusados - entre eles o filho do suposto chefe da máfia dos caça-níqueis, Victor Emmanuel Servo - também deixaram o presídio. Segundo um agente da PF, devem sair mais 20 pessoas ainda na noite desta quarta-feira. Fruto de uma operação que investiga a exploração de caça-níqueis e jogos de azar, ao todo 80 pessoas chegaram a ser presas desde o último dia 4 de junho. Ao contrário do filho, Servo e outros oito acusados devem permanecer presos. A prisão preventiva foi decretada por decisão da 5ª Vara Criminal da Justiça Federal de Campo Grande. Mas o pedido da Polícia Federal incluía mais dois nomes: o de Morelli e o do irmão mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Genival Inácio da Silva, o Vavá. O despacho do juiz Dalton Conrado não cita Vavá em nenhum momento. No início da Xeque-Mate, que mira a exploração de jogos de azar, a PF pediu sua prisão temporária, pelos crimes de tráfico de influência e exploração de prestígio. Mas a Justiça Federal de Campo Grande negou o pedido. Ao justificar o decreto de prisão dos acusados, o juiz cita as escutas telefônicas da PF. "As transcrições das conversas revelam a existência de indícios quanto aos delitos de corrupção ativa e passiva, porque agentes públicos estariam recebendo dinheiro para não apreender as referidas máquinas, bem como estariam também explorando diretamente máquinas caça-níqueis", diz. Os acusados que permanecerão presos, além de Servo, são: Ari Silas Portugal, Edmo Medina Marquetti, Hércules Mandetta Neto, José Eduardo Abdulahad, Marmo Marcelino Vieira de Arruda, Sérgio Roberto de Carvalho, Gandi Jamil Georges e Raimondo Romano. O regime de prisão preventiva é mais severo que o temporário, porque o suspeito fica detido até o julgamento - a menos que consiga um habeas-corpus em tribunal superior. Compadre de Lula Liberado nesta quarta-feira, Morelli - compadre do presidente - foi detido dia 4 em Diadema e afastado do cargo de confiança que exercia na prefeitura da cidade, comandada pelo PT. Ele foi flagrado por grampo telefônico em conversas com os principais suspeitos da Xeque-Mate. Também foi avisado antecipadamente sobre a operação da PF, conforme mostram os grampos. Em 16 de maio, às 12h35, Morelli ligou para Servo e disse que precisava conversar com ele, porque "deu um pepino feio". Servo perguntou: "É comigo?". Ele respondeu que não sabia. Duas horas depois Servo ligou para sua mulher - Maria Dalva Martins - e disse que marcou encontro em uma pizzaria porque Morelli não queria ir até a empresa - a Multiplay, fabricante de máquinas caça-níqueis. Segundo Servo, "é por causa desse negócio de telefone, já teve comentário lá de cima". Para a PF, quando ele disse "por causa do telefone", estava se referindo ao fato de a polícia estar monitorando o grupo. Seu advogado, Milton Fernando Talzi, disse que o empresário não foi incluído no topo da organização. "Não há nenhuma prova de que Morelli tenha envolvimento com atividades ilícitas." A PF atribui a ele sociedade em uma casa de caça-níqueis, aberta em nome de um "laranja", e prática de corrupção ativa. Morelli atuaria corrompendo policiais para facilitar os negócios ilícitos do grupo. Relatório final A Justiça Federal em Mato Grosso do Sul deve receber ainda na noite desta quarta-feira o relatório final da Operação Xeque-Mate elaborado pela Polícia Federal. O delegado Alexandre Custódio, responsável pelo inquérito, passou os últimos dois dias analisando documentos relativos ao inquérito. O juiz Conrado deve encaminhar os documentos ao Ministério Público, que decidirá se oferece ou não a denúncia à Justiça. (Com Reuters)

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