Após nota de FHC, PT buscará apoio de PSDB para diretas

Declaração de tucano sobre antecipação da eleição agradou à oposição; debate interno no PSDB ficou acirrado

Ricardo Galhardo e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

17 Junho 2017 | 03h00

A declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pedindo que o presidente Michel Temer tenha um “gesto de grandeza” e antecipe as eleições presidenciais animou a oposição ao governo do PMDB no Congresso. 

O líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini (PT-SP), disse que vai procurar os deputados descontentes do PSDB para uma conversa sobre a antecipação das eleições presidenciais de 2018. “Vamos tentar falar com eles (tucanos) para um acordo sobre eleições diretas. Nosso objetivo é tirar o Temer”, afirmou Zaratini. 

Em carta ao jornal O Globo, publicada nesta quarta-feira, 15, FHC disse que “não havendo aceitação generalizada de sua validade, ou há um gesto de grandeza por parte de quem legalmente detém o poder pedindo antecipação de eleições gerais ou o poder se erode de tal forma que as ruas pedirão a ruptura da regra vigente exigindo antecipação do voto”.

Diretas. A declaração foi interpretada pela oposição como a senha para que parlamentares tucanos possam embarcar no movimento pelas “diretas-já”. 

Segundo Zaratini, a estratégia é incentivar as manifestações de rua para pressionar deputados a votarem pela aceitação de uma possível denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) no inquérito que investiga Temer por corrupção passiva, obstrução de Justiça e organização criminosa. O objetivo é buscar o apoio de deputados descontentes em partidos que integram a base de Temer.

“A ideia é fazer uma grande mobilização popular para ampliar o nosso campo. Se olharmos os números de hoje não temos (votos para afastar Temer e fazer uma nova eleição) mas os números de hoje não são os de amanhã”, disse o petista. 

PSDB. Os tucanos foram pegos de surpresa com as declarações do ex-presidente. Integrantes da executiva avaliam que FHC “foi além do ponto”, classificaram como “ininteligível” a nota divulgada e preveem um acirramento ainda maior do debate interno. 

“A ideia de eleições gerais é inaplicável e contraria a Constituição em vigor”, disse o ex-governador José Aníbal, vice-presidente do PSDB.

Para os “cabeças pretas”, porém, a posição do ex-presidente fortalece a ala que prega o desembarque. A ala mais jovem do partido entende que a bandeira da antecipação pode ser adotada pelo PSDB em caso de deterioração da situação de Temer. A avaliação também é feita por integrantes do alto clero tucano. 

“Se acontecer uma situação de ingovernabilidade, a antecipação da eleição direta é uma hipótese. Mas conversa com o PT é especulação”, afirmou o presidente do Instituto Teotônio Vilela, José Aníbal. 

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