Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Após licença de Aécio, 'PSDB vai mais uma vez ajudar o Brasil', diz Alckmin

Governador declara apoio à decisão do senador mineiro de se afastar da presidência do partido

Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2017 | 16h46

Na primeira agenda pública do governador Geraldo Alckmin (PSDB) após as revelações da delação da JBS, que provocaram a abertura de uma investigação contra o presidente Michel Temer no Supremo Tribunal Federal (STF) e o afastamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG) de suas funções parlamentares, o tucano afirmou, na manhã desta sexta-feira, 19, na capital, que o "PSDB vai mais uma vez ajudar o Brasil". Alckmin deu essa declaração após ser questionado sobre a situação de Aécio, que, até quinta-feira, 18, ocupava o posto de presidente nacional do partido - ele pediu licenciamento do cargo.

Investigado pela Lava Jato, Aécio foi flagrado em conversa com o empresário Joesley Batista, um dos donos do frigorífico JBS, pedindo R$ 2 milhões. O dinheiro seria usado para ajudar a pagar sua defesa. A informação veio à tona com a revelação do conteúdo do acordo de delação premiada firmado por Wesley com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que chegou a pedir a prisão do senador, mas teve o pedido negado pelo STF.

"O Aécio tomou atitude correta, necessária, se afastando da presidência do partido para cuidar da sua defesa. O senador Tasso Jereissati (que assumiu a função ontem) era a pessoa mais indicada. Já foi presidente do PSDB, pessoa extretamente preparada, experiente, um grande governador do Ceará e senador da República. É um momento que exige compromisso com o País, serenidade. Acho que o PSDB vai mais uma vez ajudar o Brasil", disse.

Sobre a crise que se instalou no Palácio do Planalto, com Temer oficialmente investigado, o governador paulista evitou opiniar se o presidente consegue se manter no cargo após a PGR decidir, com autorização do STF, investigá-lo por supostamente dar aval para suborno do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). "O Brasil já atravessou, já passou e superou outras crises. Vai também ultrapassar e superar essa crise. Nosso foco tem que ser proteger a nossa população. Nós estamos infelizmente com 14 milhões de desempregados e 6 milhões no desalento. Temos de ter serenidade e responsabilidade neste momento. A apuração avança, a investigação avança e dentro da legalidade."

Alckmin ainda ressaltou que a Constituição Federal deve ser rigorosamente cumprida e que o momento agora é o de "preservar a economia, tentar avançar com as reformas e ajudar o Brasil."

Tasso. Escolhido na quinta-feira, 18, por Aécio para presidir interinamente o PSDB, o senador Tasso Jereissati (CE) classificou nesta sexta-feira, 19, como "grave" a situação do ex-presidente da legenda. "É grave, eu reconheço. Mas tenho confiança que ele vai saber se defender", disse o tucano em entrevista a Rádio CNB.

Questionado sobre os rumores de que poderia ser candidato do PSDB para um mandato tampão caso o presidente Michel Temer deixe o cargo, Jereissati disse desconhecer qualquer articulação. "Nada pode ser feito fora da Constituição. Só assim as instituições ficam preservadas". Ainda segundo Tasso, "não há apoio incondicional" do partido ao governo Temer.  

O PSDB defende hoje, majoritariamente, que, caso haja o afastamento de Temer, o processo de sucessão ocorra de forma indireta, ou seja, por meio do Congresso Nacional. O mandato do senador cearense à frente do PSDB só termina quando e se Aécio abrir do cargo em caráter definitivo. Nesse caso, uma dos oito vice-presidentes da sigla será escolhido.      

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