Após criticar assédio do PMDB, Maia janta com opositores de Temer

Jantar aconteceu na casa da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), que foi suspensa de funções parlamentares após criticar abertamente sua sigla

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2017 | 18h37

BRASÍLIA - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), jantou na noite desta quarta-feira com integrantes da ala do PMDB que fazem oposição ao presidente Michel Temer. O encontro aconteceu logo após o parlamentar fluminense disparar duras críticas contra Temer e o PMDB, em razão do assédio de peemedebistas a deputados do PSB que negociam migração para o DEM.

O jantar aconteceu na casa da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), que foi suspensa das funções partidárias em 13 de setembro, após dar declarações públicas contra a cúpula do partido. Além dela, participaram os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Eduardo Braga (PMDB-AM), ambos críticos do governo Temer, e o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), que se mantém aliado a Temer.

Segundo apurou o Estadão/Broadcast, no encontro, os peemedebistas e Maia trataram sobre "política". Além dos integrantes do PMDB, deputados de outros partidos participaram do encontro, entre eles, Alexandre Baldy (Podemos-GO) e Orlando Silva (PC do B-SP). Este último é um dos membros da oposição mais próximos do presidente da Câmara. 

De acordo com Silva, Maia fez críticas ao Palácio do Planalto. "Foi um jantar para compartilhar leituras sobre o momento político. Sobraram críticas à condução política do governo. Críticas que, aliás, já são públicas dos que lá estavam", afirmou o parlamentar do PC do B.

Gota d´água. Como mostrou ontem o Estadão/Broadcast, a gota d´água para as duras críticas disparadas por Maia contra Temer e o PMDB foi o assédio de integrantes da cúpula peemedebista a um deputado do PSB de Pernambuco que negocia migração para o DEM. Um deles seria o deputado Marinaldo Rosendo (PSB-PE), cuja ida para o DEM é tratada como "certa" pela cúpula dos democratas. 

Irritado com a postura do PMDB, o presidente da Câmara não só disparou críticas como convidou deputados do PSB para um café da manhã nesta quinta-feira, 21, para tratar do assunto. O encontro aconteceu na residência oficial da presidência da Câmara. Nele, Maia fez críticas ao PMDB pela atitude, segundo um dos participantes. 

Ontem, em entrevistas na Câmara e durante um evento na embaixada do Chile, o parlamentar fluminense disparou duras críticas ao PMDB. "Quando a gente faz um acordo, tem que cumprir a palavra. A coisa mais importante da política é a palavra. Eu já avisei o presidente, isso causou muito desconforto dentro da bancada”, disse à imprensa. 

Ele se referia ao episódio, durante a tramitação da primeira denúncia contra Temer na Câmara, quando o peemedebista teve um encontro Tereza e integrantes da cúpula do PSB. Na época, segundo Maia, Temer foi a um jantar em sua casa negar que o PMDB estivesse fazendo uma ofensiva no PSB, mas a filiação do senador Fernando Bezerra teria mostrado que isso não era verdade.

O deputado destacou ainda que o fato de os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral) e Eliseu Padilha (Casa Civil) terem participado do ato de filiação de  Bezerra mostra que há uma “digital” do governo na iniciativa. “Isso é muito grave. A gente não pode ficar levando facada nas costas do PMDB, principalmente de ministros do palácio e do presidente do PMDB”, criticou.

Mais cedo ontem, em entrevista ao Estadão/Broadcast, Maia pediu que o Planalto seja mais "respeitoso” com ele durante a tramitação na Casa da segunda denúncia contra Temer. “Vou conduzir esse processo como conduzi o primeiro, apesar de muita intriga, muito fogo amigo na primeira (denúncia). Espero que, nesta segunda, o palácio seja mais respeitoso comigo", disse. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.