Ao lado de Campos, Dilma cobra compromisso de coalizão

Presidente participou de evento com governador de PE, que se movimenta para fortalecer possível candidatura de oposição em 2014

Bruno Boghossian, enviado especial para O Estado de S. Paulo

25 Março 2013 | 14h35

SERRA TALHADA, Pernambuco - Ao lado do governador pernambucano, Eduardo Campos (PSB), a presidente Dilma Rousseff cobrou nesta segunda-feira, 25, a formação de uma coalizão política para dar continuidade a projetos desenvolvidos nos últimos dez anos pelo governo federal. No momento em que Campos se movimenta para fortalecer uma possível candidatura de oposição a Dilma em 2014, a presidente pediu que seus parceiros estejam "comprometidos" com os rumos de sua administração.

"O Brasil vai continuar numa trajetória de estabilidade e controle da inflação, mas de crescimento. Vamos provar que o País só será forte e desenvolvido se tivermos a determinação e a coragem de continuar por esse caminho, de construir democraticamente uma colaizão para dirigir esse País. Nenhuma força política sozinha é capaz de fazer esse caminho. Precisamos de parceiros e que esses parceiros sejam comprometidos com esse caminho", afirmou Dilma, nesta segunda-feira, 25, após inaugurar o trecho de um sistema de abastecimento de água em Serra Talhada, no sertão de Pernambuco.

A presidente fez um discurso longo, de 50 minutos, em que fez alguns elogios ao governador pernambucano, mas destacou com frequência maior o papel do governo federal no desenvolvimento do Nordeste. Citou diversas vezes o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contando com aplausos do público a cada menção, e anunciou novos investimentos que serão feitos em sua gestão.

"Eu estou fazendo aqui em Pernambuco a mesma coisa que o Lula sempre faz. Ele vinha, conversava com o Eduardo e trazia sempre obras e benefícios. Nós estamos vendo uma mudança acelerada na região. Pernambuco é um novo Pernambuco. O governador tem um grande papel nisso, sem dúvida, e o governo federal, tanto com Lula quanto minha gestão, também tem. Todos os investimentos que fizemos em Pernambuco, se você juntar os investimentos federais e feitos pelas nossas estatais, chega a um voluma extraordinário de R$ 60 bilhões", disse a presidente.

Dilma e sua equipe anunciaram novos investimentos de R$ 3,1 bilhões no Estado, como parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A ministra Miriam Belchior (Planejamento) disseque esse montante demonstra que a parceria entre o governo federal e o governo do Estado "continua cada vez mais forte".

Eduardo Campos fez um discurso cauteloso. Agradeceu à presidente pelas parcerias e afirmou ser "um amigo de grandes jornadas". Disse oferecer "acolhimento", "respeito" e "fraternidade" à presidente, e declarou que ela é bem-vinda em seu Estado. "Aqui a senhora tem um governador, mas também tem um companheiro, e tem um amigo de grandes jornadas".

O governador pernambucano reconheceu, no entanto, avanços anteriores aos governos de Lula e Dilma. Em um discurso semelhante àquele que tem apresentado a empresários em viagens pelo Brasil, disse que o País alcançou a consolidação da democracia e a estabilização da economia em períodos anteriores, sob líderes como Fernando Henrique Cardoso (PSDB) - adversário dos petistas.

"Nesses últimos 30 anos, construímos uma democracia, construímos fundamentos macroeconômicos importanters para um País da dimensão do Brasil e, nos últimos 10 anos, sob a liderança do presidente Lula, vimos essas condições permitirem chegarmos com o governo aonde o governo não chegava antes", disse Campos.

Ao falar sobre a política local e nacional, defendeu que é necessário "debater" para construir consensos e declarou que "a luta do povo é uma luta muito mais larga que as ambições pessoais".

Obras. Em Serra Talhada, Dilma inaugurou a primeira etapa do sistema de fornecimento de água da Adutora do Pajeú, que deve atender a 400 mil pessoas de Pernambuco e Paraíba, segundo o Ministério da Integração Nacional. O projeto capta água do Rio São Francisco para garantir o abastecimento a moradores e produtores agrícolas da região mesmo em épocas de estiagem.

Foi a primeira vez que os dois dividiram um palanque desde que o governador intensificou suas movimentações para fortalecer uma possível candidatura contra a reeleição de Dilma, em 2014.

Na cerimônia, também foram entregues 22 retroescavadeiras a prefeituras de Pernambuco. As máquinas serão usadas para abrir estradas vicinais e açudes, com o objetivo de beneficiar a produção da agricultura familiar e o transporte de mercadorias da região. O custo das retroescavadeiras foi de R$ 3,3 milhões, investidos pelo Ministério do Desenvolvimento Agrícola.

Já o Ministério da Educação anunciou a entrega de 50 ônibus escolares para municípios do Estado, como parte do programa Caminho da Escola.

A presidente e o governador tinham um almoço marcado para o início da tarde em Recife, além de outra cerimônia oficial na capital pernambucana. Os eventos foram desmarcados, pois Dilma agendou presença em uma missa em homenagem às vítimas dos deslizamentos de terra em Petrópolis (RJ). Ela deixaria Pernambuco rumo ao Rio. Às 23h, tem um voo marcado para Durban, na África do Sul, onde participa da cúpula dos Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

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