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Ao lado de Alckmin, Dilma critica pouco investimento em mobilidade

Carla Araújo e Valmar Hupsel Filho - O Estado de S. Paulo

26 Junho 2014 | 12h 41

De volta à capital paulista para anunciar recursos e contrato para linha de metrô, presidente diz que a partir do governo Lula setor passou a receber recursos 'em escala'

Atualizado às 13h30

São Paulo - Entre uma troca de gentileza e outra dirigida ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), a presidente Dilma Rousseff repetiu ao lado do tucano que "no passado" não se investia tanto em mobilidade urbana, habitação e saneamento no País. Dilma está na capital paulista nesta quinta-feira, 26, para anunciar investimentos no setor e classificou como "avanço da democracia" a parceria entre os governos federal, estadual e municipal.

"No governo Lula começamos a investir em mobilidade em escala", afirmou Dilma na cerimônia do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), anunciou a liberação de R$ 2,640 bilhões do orçamento federal para mobilidade urbana e combate a enchente em São Paulo. 

Durante o evento, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, assinaram contrato de financiamento de R$ 1,6 bilhão para a Linha 6-Laranja do Metrô. O projeto prevê a ligação da Vila Brasilândia, na zona norte da capital, até a estação São Joaquim (Linha 1-Azul), na região central, além de fazer integração com a Linha 4-Amarela e com a CPTM (linhas 7-Rubi e 8-Diamante). A nova linha terá 15,3 km de extensão e 15 estações.

A presidente disse ainda que o fato de São Paulo ser uma cidade complexa e grandiosa "exigirá mais obras e parcerias nos três níveis". "São Paulo é grandiosa na complexidade dos problemas e exige mais investimentos", complementou.

Em julho do ano passado, Dilma também anunciou um pacote de investimentos de R$ 8,1 bilhões em obras de mobilidade, drenagem e recuperação dos mananciais na cidade de São Paulo. Daquele total, R$ 3 bilhões foram destinados para corredores de ônibus, R$ 2,2 bilhões para recuperação dos mananciais das represas Billings e Guarapiranga, na zona sul, R$ 1,5 bilhão para construção de moradias para 20 mil famílias que vivem perto das represas, e R$ 1,4 bilhão para a drenagem de córregos em bairros da capital.

Em outubro, foi anunciado um repasse de R$ 5,4 bilhões em recursos do PAC 2 para o transporte do Estado, incluindo o metrô. Dilma passou a priorizar esse tipo de agenda em meados do ano passado, após os protestos de junho. Na capital, melhorias no transporte público estavam entre as principais bandeiras dos manifestantes.  "O aumento da quantidade de veículos nas ruas não é negativo. Negativo é não ter transporte público de qualidade", afirmou.

'Inusitado'. Presente no evento, o prefeito da capital paulista, Fernando Haddad (PT), classificou a união em torno das obras como um esforço "incomum, inédito e até inusitado". "Estamos alinhando estrategicamente ações de três esferas de governo levando em consideração interesses dos munícipes".

Já Alckmin agradeceu à parceria com o prefeito petista e voltou a se referir à presidente Dilma Rousseff como "sempre mensageira de boas novas para São Paulo". "Este é um bom exemplo de que somos todos imunes aos ciclos políticos em benefício da população", ressaltou.

Copa. Ao comentar a realização da Copa do Mundo no Brasil, já no fim de seu discurso, Dilma voltou a se dirigir a Alckmin. "Em conjunto, também demonstramos que somos perfeitamente capazes de garantir a segurança e a qualidade dos estádios e dos aeroportos", comentou.