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Anotações de ex-diretor indicam repasses políticos

12 Abril 2014 | 16h 39

Paulo Roberto Costa tinha costume de fazer anotações de próprio punho sobre suas transações

BRASÍLIA - Considerado o “homem bomba” por suas conexões com o mundo político e a Petrobrás, o ex-diretor de abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa tinha por hábito anotar de próprio punho todas as informações acerca de seus negócios. A Polícia Federal encontrou na casa dele 36 pendrives, além de agendas e cadernos que revelam negócios suspeitos investigados na Operação Lava Jato.

Um desses documentos, revelado pelo Bom Dia Brasil da TV Globo, na última sexta-feira, registra repasses milionários de um suposto esquema que abastecia candidatos e financiava campanhas políticas.

Entre os papéis, a PF encontrou, conforme reproduzido pela reportagem, uma tabela dividida em três colunas. A primeira com nome de grandes empresas, a segunda com os executivos responsáveis pelas empresas e a terceira, intitulada “Solução”, subdividida em frases como: “Está disposto a colaborar”, “Já está colaborando, mas vai intensificar para campanha a pedido de PR” e “Já teve conversa com candidato e vai colaborar a pedido do PR”. A sigla seria uma referência a Paulo Roberto, na interpretação dos investigadores.

A revista Veja desta semana mostra outro documento apreendido na casa e no escritório de Paulo Roberto, sem identificação da fonte dos recursos, em que ele descreve supostos pagamentos ao Partido Progressista (PP) no valor de R$ 28,5 milhões; sendo que R$ 7,5 milhões seriam para o diretório nacional do partido, conforme entendimento da Polícia Federal.

Siglas também indicam, para os investigadores, que recursos foram repassados aos deputados Nelson Meurer (PP-PR) e João Pizzolati (PP-SC). Os recursos viriam de empresas fornecedoras da Petrobrás onde Paulo Roberto atuou de 2003 a 2012 por indicação inicialmente do PP e, mais tarde, do PMDB e PT. A revista menciona, ainda, os ex-deputados Pedro Henry (PP-MT) e Pedro Corrêa (PP-PE), ambos condenados no esquema do mensalão.

A arrecadação dos recursos, conforme os documentos obtidos pela revista, passava pela “contratação” da consultoria de Paulo Roberto por fornecedores da Petrobrás e, num segundo passo, na lavagem do dinheiro pelo doleiro Alberto Youssef. Ambos estão presos desde o mês passado na superintendência da PF em Curitiba.

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