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André Vargas avisa ao PT que vai renunciar ao mandato

Fernando Gallo e Vera Rosa - O Estado de S. Paulo

14 Abril 2014 | 19h 13

Deputado comunica à direção do partido que vai deixar a Câmara após ter reveladas ligações com doleiro do Paraná preso pela PF na Operação Lava Jato

São Paulo e Brasília - (atualizado às 22h) Fustigado por denúncias que o envolvem com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal, o deputado André Vargas (PT-PR) decidiu renunciar ao mandato. Ele comunicou ontem sua decisão ao presidente do PT, Rui Falcão. A formalização da renúncia deve ocorrer nesta terça-feira, 15.

"Eu vejo que já me julgaram sem provas e quero proteger minha família", disse Vargas ao Estado. "Estou sofrendo muito porque não pratiquei nenhum crime. O máximo que fiz foi advocacia administrativa."

Licenciado da Câmara dos Deputados desde a semana passada, Vargas é alvo de processo no Conselho de Ética da Casa por suas ligações com Youssef, preso pela Polícia Federal em 17 de março durante a Operação Lava Jato, que também descobriu supostos atos ilícitos cometidos pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa.

Além de admitir que voou em um jatinho emprestado por Youssef, Vargas é suspeito de atuar para um laboratório cuja propriedade a PF atribui ao doleiro e que tinha interesses em contratos com o Ministério da Saúde para fornecimento de medicamentos. Em troca de mensagens com o o deputado, Youssef prometia "independência financeira" a Vargas. O petista também admitiu que um irmão dele prestou serviços de informática ao doleiro.

A relação entre ambos foi descoberta em grampos telefônicos feitos pela PF, que investigava atos ilícitos de Youssef. Embora não fosse alvo da interceptação, já que detentores de foro privilegiado só podem ser investigados com autorização do Supremo Tribunal Federal, Vargas foi flagrado porque trocou mensagens de celular com o doleiro.

Desde que o caso veio à tona, Vargas vinha sendo rifado pelo Planalto e por alas do PT. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da SIlva afirmou, em entrevista, que Vargas devia se explicar "para o PT não pagar o pato".

Nos últimos dias, os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Relações Institucionais) e o presidente do PT, Rui Falcão, cobraram do deputado uma atitude para não prejudicar as campanhas de Alexandre Padilha, em São Paulo, da senadora Gleisi Hoffmann, no Paraná, além da presidente Dilma Rousseff.

Inelegível. Apesar da renúncia, o processo contra Vargas continuará tramitando no Conselho de Ética. O deputado também deverá ficar inelegível por oito anos, sanção prevista na Lei da Ficha Limpa para quem renunciar para evitar uma cassação.

Com a decisão, porém, ele deve se livrar de responder a um processo na Comissão de Ética do PT. O partido se preparava para abrir um processo contra ele na comissão, mas a questão deve ser reavaliada.

Para livrar Vargas do processo interno, os petistas devem argumentar que o caso só tramita na Executiva Nacional porque Vargas é deputado federal, mas com a renúncia passa a ser um filiado comum, o que ensejaria o encerramento do processo ou seu envio para Londrina, cidade pela qual ele é filiado. / COLABOROU RICARDO GALHARDO