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ANÁLISE: Saída de Cardozo não alivia situação de Lula e de outros investigados

João Domingos*

O ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo

O ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo

O ex-presidente Lula e os petistas que levaram José Eduardo Cardozo a decidir pelo pedido de demissão estão enganados se acham que com a saída do ministro vão conseguir algum tipo de vistas grossas por parte da Polícia Federal a irregularidades que estão sendo investigadas.

Em primeiro lugar, é praticamente impossível ao ministro da Justiça controlar o que a Polícia Federal faz. Em segundo, as investigações são feitas também pelo Ministério Público, sobre o qual o ministro da Justiça não tem nenhuma influência. É só observar a força-tarefa da Operação Lava Jato. Boa parte dela é constituída por procuradores de Justiça, que formam um time de investigadores junto com os delegados da PF.

No caso específico de Lula, a investigação que apura se ele praticou tráfico de influência ao defender o interesse de empreiteiras no Exterior é feita pelo MP.

Tanto Lula quanto boa parte do PT atribuem a Cardozo "corpo mole" diante das investidas da Polícia Federal contra petistas suspeitos de participação em irregularidades e atos de corrupção.

Em resumo, na visão deles Cardozo não estaria cumprindo a contento a tarefa de controlar as investigações da PF. Daí, as críticas cada vez mais fortes ao ministro, como as feitas durante o final de semana na festa de aniversário dos 36 anos do PT.

Quando Lula e o PT fazem pressão para que o ministro da Justiça - seja ele Cardozo ou quem vier a substituí-lo - tente controlar as investigações da Polícia Federal, no mínimo estão sugerindo que seja cometido o crime de prevaricação. Isso é grave. Como dizem os políticos, poderá ser um tiro no pé.

* João Domingos é coordenador do serviço Análise Política, do Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado

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