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Análise: Os transtornos da falta de transparência

João Domingos - O Estado de S. Paulo

29 Janeiro 2014 | 21h 00

O grande problema da esticada da presidente Dilma Rousseff e sua comitiva a Lisboa, no sábado, foi a falta de transparência. Se não tivessem tentado tornar secreto algo que, a rigor, deve ser público, por se tratar da figura de um chefe de Estado, não haveria motivo para tanto barulho. Nem para que todo mundo - da presidente Dilma ao presidente da Comissão de Ética Pública - perdesse a calma que se espera de cada um.

A resposta da presidente Dilma, de que escolhe o restaurante que quiser porque é ela que paga a conta, tem várias interpretações. A principal delas é a da falta de argumento para o jantar que se tentou secreto. Outra pode ser a empáfia proporcionada a ela por assessores que só dizem sim. Quanto à provocação do presidente da Comissão de Ética Pública, Américo Lacombe, ao líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP), por trás dela também há um forte sentimento de irritação.

Ele disse que o regulamento foi feito durante o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso e que, pelo texto, a Comissão de Ética não pode julgar nem o presidente nem o vice. Só ministros para baixo. O PSDB queria que a comissão verificasse se a presidente Dilma quebrou a ética ao parar em Lisboa.

O certo é que, por melhor que seja o prato do Restaurante Eleven, a revelação pelo jornal O Estado de S. Paulo do pulo da comitiva presidencial a Lisboa tirou todo mundo do sério. E o Brasil, com seus problemas econômicos, juros e inflação alta, incertezas quanto ao futuro e uma Copa de Futebol pela frente já se sabendo que haverá caos no transporte urbano, precisa é de autoridades serenas.

João Domingos é repórter de O Estado de S. Paulo.