ANÁLISE: Lula, do mito ao homem

Ex-presidente continua apresentando uma reação típica de líderes políticos levados a julgamento: a de questionar a legitimidade do tribunal ou do juiz

Leonardo Barreto*, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2017 | 05h00

Ter um presidente no banco dos réus não é algo comum de se ver em nenhum no País do mundo e menos ainda no Brasil. Por isso é difícil avaliar o desempenho de Luiz Inácio Lula da Silva durante os depoimentos prestados ao juiz Sérgio Moro. Afinal, ele foi bem ou mal? A situação é tão inusitada que nem sabemos como tratá-la. Haja vista o ar de debate eleitoral que se deu ao primeiro depoimento, mas as coisas já mudaram de figura.

Lula continua apresentando uma reação típica de líderes políticos levados a julgamento: a de questionar a legitimidade do tribunal ou do juiz. 

Não são raros os casos de líderes presos justa ou injustamente que foram condenados quase à revelia por não acharem seus julgadores dignos da missão. Isso fica claro em declarações como “vão ter de me pedir desculpas” ou na pergunta se ele terá direito a um “juiz isento”.

No entanto, o julgamento é sobre a pessoa física do Lula. É neste ponto que o gigante mostra o seu pé de barro. As principais contradições que ameaçam Lula se referem a questões ligadas à sua fonte de renda, ao aluguel da cobertura vizinha à sua, à administração do Instituto Lula, entre outros. 

A primeira condenação certamente fez cair alguma ficha de Lula. No entanto, isso se mostrou em uma mudança de postura do que de discurso. O ex-presidente teimou em não se preparar para responder questões privadas. Talvez porque as considere menores, coisas de simples mortais. Talvez porque não tenha boas explicações para elas. De todo modo, o resultado tem sido a paulatina desconstrução do mito para a posterior condenação do homem.

* DOUTOR EM CIÊNCIA POLÍTICA PELA UNB

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.