ANÁLISE: Equipe de segurança de Lula deve ser desmobilizada

Ex-presidente tem direito pela vida toda a quatro agentes de segurança e quatro funcionários administrativos; depois da prisão, não se sabe claramente o que acontecerá com essa estrutura

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

06 Abril 2018 | 05h00

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem direito pela vida toda a quatro agentes de segurança, mais quatro funcionários administrativos. A cada dois anos recebe dois carros de luxo, talvez blindados, como acontece com o presidente Michel Temer. O combustível, as diárias do pessoal e as despesas de custeio caem na conta do Palácio do Planalto, da mesma forma que os gastos feitos em viagens aéreas, nacionais e internacionais, que Lula venha a fazer na condição de ex-chefe do Estado brasileiro.

Depois da prisão, não se sabe claramente o que acontecerá com essa estrutura, que beneficia todos os ex-presidentes: José Sarney, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff.

Os agentes, subordinados ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), da Presidência da República, chefiado pelo general Sérgio Etchegoyen, se revezam em turnos, dia e noite. Por causa deles, o contestado sítio de Atibaia, propriedade atribuída a Lula e tema de processo em fase de instrução sob o juiz Sérgio Moro, ganhou uma pequena ala anexa à casa principal para receber o pessoal. Pela mesma razão, uma sofisticada antena de comunicações digitais foi instalada na área e a estrada de acesso recebeu melhorias. Cada um deles recebe salário básico de R$ 6.843,76. A esse valor são acrescidos os adicionais de função. O grupo de apoio – secretárias, arquivista, bibliotecário – tem salários variando entre R$ 2.115,72 e R$ 2.694,71, fora os penduricalhos.

A equipe de segurança deve ser desmobilizada. “Não se espera que os seguranças acompanhem o ex-presidente na cadeia”, comentou um oficial da Polícia do Exército que atuou na equipe de segurança presidencial durante a administração de Dilma Rousseff. A situação de haver um ex-chefe de Estado encarcerado não foi prevista na lei. Para o oficial, isso “objetivamente” implica uma mudança na definição da missão. “Afinal, se mais adiante o Lula vier a receber o benefício do regime domiciliar, ele voltará a ser acompanhado por agentes públicos?”, questiona. Os funcionários responsáveis pelo suporte administrativo devem ser mantidos. Cabe a eles cuidar da organização da memória, dos documentos, dos registros formais do cotidiano, do atendimento a pesquisadores acadêmicos e da organização da agenda de Lula. Essa última atribuição, a partir de agora, será muito limitada.

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