ANÁLISE: Discurso indica pauta além da Lava Jato

Mas a fala da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, sobre defesa das leis é insuficiente para apontar claramente qual será seu caminho

Beatriz Bulla, O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2017 | 05h00

Raquel Dodge tomou posse como procuradora-geral ao lado de um presidente da República denunciado e presidentes da Câmara e do Senado investigados. Todos suspeitos de atos de corrupção. As investigações a que respondem foram obra da mesma Procuradoria-Geral da República que os recebeu nesta segunda-feira, 18, e os inquéritos redigidos por procuradores sentados na plateia da cerimônia. 

Em um cenário de tensão institucional, Raquel quis mostrar que está tudo normal. Prometeu cumprir seu dever com responsabilidade, frisou a observância ao “devido processo legal”, a harmonia entre os Poderes como requisito para a estabilidade e o respeito às leis. O discurso “republicano” era esperado e acalmou os ânimos. 

Dos quatro anos de mandato, o ex-PGR Rodrigo Janot teve que conviver com a Lava Jato por três anos e meio e fez do avanço na investigação seu grande legado. Já Raquel não mencionou o nome da operação que causa arrepio em parte da mesa de cerimônia. Ao falar em combate à corrupção, Raquel ponderou que o MPF tem função além da criminal e já indicou que sua pauta não será única e que a Lava Jato sairá do plano principal. A princípio, o discurso da nova procuradora-geral sugere um cenário menos beligerante do que o que foi imposto por Janot nos últimos meses – o que agrada aos políticos.

Mas a fala sobre defesa das leis é insuficiente para apontar claramente qual será seu caminho. A julgar pela equipe criminal que convocou, Raquel está disposta a avançar. Quem a conhece diz que é do tipo que anuncia com a voz mais doce as atitudes mais duras. 

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