ANÁLISE: Caso Lúcio é nova dor de cabeça para Temer

Governo teme que situação do deputado, irmão do ex-ministro Geddel Vieira Lima, acabe prejudicando a votação da reforma da Previdência na Câmara

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2017 | 00h40

O governo teme que o caso do deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) acabe prejudicando a votação da reforma da Previdência na Câmara. Embora seis partidos aliados tenham indicado que vão obrigar seus deputados a votar favoravelmente às mudanças na aposentadoria, sob pena de punição, o Palácio do Planalto ainda não tem os 308 votos necessários para aprovar a proposta.

Se aceito pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin, o pedido de recolhimento noturno para Lúcio, que consta da denúncia apresentada pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, poderá ter de passar pelo crivo da Câmara, uma vez que interfere no exercício do mandato. Trata-se de uma situação parecida à do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que chegou a ser afastado de suas funções pelo Supremo, mas foi “salvo” por seus colegas.

Para o Planalto, submeter um deputado do PMDB a julgamento no plenário da Câmara seria o pior dos mundos. Isso sem contar que não se fala aqui de qualquer parlamentar do partido do presidente Michel Temer, mas, sim, do irmão do ex-ministro Geddel Vieira Lima, alvo de Raquel e hoje preso. Geddel ameaça fazer delação. Lúcio é assíduo frequentador de gabinetes do Planalto.

Além da reforma da Previdência, o governo quer ver aprovadas neste ano outras medidas prioritárias para o ajuste, como a tributação de fundos. Nos bastidores, auxiliares de Temer admitem que tudo pode se complicar caso a Câmara tenha de julgar um peemedebista com trânsito no governo. Como se não bastasse o deputado presidiário Celso Jacob (RJ) ser flagrado com provolone na cueca, agora aparece mais essa bomba no colo da bancada do PMDB.

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