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Ampliar CPI da Petrobrás é estratégia 'puramente eleitoreira', afirma FHC

José Roberto Castro - Agência Estado

28 Março 2014 | 15h 26

Para ex-presidente, incluir denúncias de formação de cartel em São Paulo pode transformar comissão em 'palco político'

São Paulo - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou, nesta sexta-feira, 28, a intenção de parlamentares governistas de incluir as investigações do cartel de trens e Metrô em São Paulo numa possível CPI da Petrobrás. O tucano classificou a estratégia como "puramente eleitoreira" e disse que a estatal não pode ser alvo de "joguete" político. "Neste momento, o importante para o País é esclarecer o mau manejo da Petrobrás, como é que a tal ponto", disse o ex-presidente.

De acordo com FHC, a proposta da CPI é de investigar questões relacionadas à estatal e que não é contrária ao governo Dilma. "A CPI não pode se transformar em palco político, tem que ser realmente para investigar o que aconteceu na Petrobrás porque é sério, está pondo em risco a maior empresa do Brasil, a credibilidade dela", afirmou o tucano, após mediar um debate sobre os 50 anos do Golpe Militar no instituto que leva seu nome, em São Paulo.

A oposição protocolou pedido de criação de uma comissão no Senado nessa quinta, 27, para investigar denúncias de irregularidades ocorridas entre 2005 e 2014. Entre elas está a compra da refinaria de Pasadena, no Texas (nos EUA), da trading belga Astra Oil em 2006. A estatal pagou ao todo US$ 1,18 bilhão pela unidade, que oito anos antes, fora adquirida por US$ 42,5 milhões pelos belgas, como revelou o Broadcast em julho de 2012.

Na tentativa de esvaziar a oposição, o governo orientou parlamentares da base a dizerem que querem apurar também as denúncias de formação de cartel em contratos firmados com o governo paulista no setor metroferroviário, na gestão de Geraldo Alckmin (PSDB). A estratégia prevê ainda incluir a investigação de eventuais irregularidades no Porto de Suape, em Pernambuco, Estado governado por Eduardo Campos (PSB), provável candidato à Presidência.

O ex-presidente Fernando Henrique diz ser contrário à investigação de outros temas na mesma comissão. "A CPI tem que ter um fato determinado. O fato determinado está posto lá. Se houve corrupção [no caso do cartel], e pode ter havido, tem que punir quem foi corrupto. Mas não houve até agora nenhuma ligação entre eventuais corrompidos e corruptores com o governo."

A formação de cartel em São Paulo tem quatro frentes de investigação, comandadas pelo Ministério Público Estadual, Ministério Público Federal, Polícia Federal e ainda o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão ligado ao governo federal. Três delas apuram irregularidades em contratos de trens e Metrô firmados nas gestões de Covas, Alckmin e Serra, todos do PSDB. No inquérito federal, a PF e o MPF investiga ainda se houve pagamento de propina a agentes públicos.

Questionado pelo Broadcast Político sobre se ele acreditava que o governo levaria em frente a ameaça de convocar tucanos, FHC não questionou a força do governo, mas afirmou que uma ação assim tem custos. "O governo sempre tem força, agora usa meios que o desgasta. (Por exemplo) Retirar assinatura, é um meio violento, quem vai retirar perde", disse FHC.

O ex-presidente se mostrou otimista sobre a criação da comissão e disse torcer para que ela chegue a resultados "palpáveis". "Eu acredito que (a CPI) vá acontecer e eu espero que a chegue a resultados palpáveis que nos permitam dizer: 'olha, errou aqui, ali, acolá e vamos corrigir'. Porque a Pertobrás é importante demais para ser joguete de interesse político".