Amizade com Lula salvou relação com Brasil, diz Evo

Presidente da Bolívia comenta nacionalização de recursos, que afetou Petrobrás

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 12h53

O presidente boliviano, Evo Morales, disse nesta terça-feira, 19, que sua amizade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitou um rompimento entre Brasil e Bolívia na época em que ele nacionalizou os recursos energéticos, afetando as operações de Petrobras. "Nós precisamos da Petrobras, eles também precisam de nós, e então vão ser sempre importantes as decisões políticas, de presidente para presidente, de governo para governo. Se não fosse a amizade com Lula, quem sabe estariam muito distanciadas as relações com o Brasil", afirmou Evo em uma longa entrevista à rádio católica Fides. Evo disse que Lula representa a liderança regional do Brasil e lhe agradeceu pelas "muitas gestões pela Bolívia", em especial nas tortuosas negociações com a Petrobras após a nacionalização do setor. Na mesma entrevista, Evo afirmou que o presidente cubano, Fidel Castro, pode ter passado por mais de dez cirurgias em um ano, mas já deixou o repouso e dedica seu tempo ao estudo de vários assuntos, principalmente o meio ambiente. "Fidel (está) estudando, analisando, revisando dados, já não está descansando, já não está repousando, sinto que é trabalho permanente", afirmou Evo, que visitou Fidel em 31 de maio. "Sinto que ele suportou muitas operações, talvez mais de dez operações, mas que está muito bem. (Mas) não sou médico afinal de contas", acrescentou, depois de afirmar que viu Fidel "caminhando normalmente" no encontro de várias horas que mantiveram. De acordo com Evo, Fidel está sempre acompanhado de um ou dois médicos. "Já não está tão fraco quanto antes, (está) escrevendo, revisando suas anotações, desta vez lhe vi mais preocupado, não tanto pela saúde e educação, mas com o tema do meio ambiente", no qual o boliviano disse ter "enormes coincidências" com o veterano revolucionário, já que "os indígenas (como o próprio Evo) não só vivem em reciprocidade e harmonia com o ser humano, como com a mãe-terra". Desde que transferiu o poder a seu irmão Raúl, Fidel só é visto em fotos e vídeos. Nos últimos meses, passou também a publicar artigos na imprensa estatal, inclusive com críticas à parceria entre Brasil e EUA para a promoção dos biocombustíveis. Diálogo Em tom quase de confidência com o padre que o entrevistou, Evo disse que admira Fidel e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, salientou sua amizade com Lula, sua confiança na chilena Michelle Bachelet e suas afinidades com o equatoriano Rafael Correa. Sobre o peruano Alan García, porém, admitiu que "não há uma relação de confiança", mas disse que pretende melhorá-la. "Somos da cultura do diálogo, podemos estar dialogando com Lula, com Fidel, mas também queremos diálogo com os Estados Unidos", resumiu. Sua relação com Chávez, criticada pela oposição direitista da Bolívia, que aponta intromissões de Caracas, se baseia no princípio da solidariedade, "pensando na Pátria Grande, como (defendia o libertador Simón) Bolívar", disse Evo. "Seu apoio é incondicional, nunca o presidente Chávez me disse ´faça isso"´, afirmou Evo, assegurando que não fala com o colega venezuelano mais do que uma vez por mês.

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