Amazonas cria Bolsa-Floresta para coibir desmatamento

Dinheiro para famílias que contribuírem virá da venda do carbono armazenado

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h40

O governo do Amazonas inventou na semana passada uma nova forma de estimular a população a cuidar das florestas, que cobrem 98% da área de 1,5 milhão de quilômetros quadrados do Estado. Trata-se do Bolsa-Floresta: um benefício anual pago às famílias que, morando em regiões florestais, contribuírem para a sua preservação. O valor do benefício irá variar de acordo com o empenho das famílias. Poderão receber até R$ 600 - pagos no caso de desmatamento zero, aferido pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). O incentivo faz parte da Política Estadual de Mudanças Climáticas - um pacote de leis ambientais lançado pelo governador Eduardo Braga (PMDB). De onde virá o dinheiro para as famílias? Do carbono armazenado na floresta: produto que o governo espera vender a pessoas físicas e empresas do Brasil e do exterior. Segundo o secretário estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Virgílio Viana, embora o carbono resultante da manutenção de florestas existentes esteja fora do Protocolo de Kyoto, não podendo ser oficialmente negociado, há um mercado paralelo, de iniciativas voluntárias. Em 2006, teria movimentado cerca de US$ 1 bilhão, dentro do mercado total de US$ 30 bilhões. É nesse mercado paralelo que o Amazonas está de olho. "Queremos atrair governos, empresas, indivíduos preocupados com a responsabilidade social, para que invistam na conservação de florestas já existentes, que oferecem a grande vantagem da biodiversidade", diz Viana. Quem comprar o produto ofertado receberá um certificado, especificando que a contribuição é conversível em toneladas de carbono, com desmatamento evitado. Acredita-se que no futuro estes certificados serão aceitos no mercado, assim como os que se enquadram nas determinações de Kyoto - voltadas para reflorestamento de áreas devastadas até 1990. A iniciativa é pioneira no País. E faz parte do esforço de Eduardo Braga para se destacar nesta área. Em 2003, ele criou o programa Zona Franca Verde - com a idéia de combinar desenvolvimento econômico com preservação ambiental. Ao lançar o pacote, Braga assumiu o comando do Movimento Nacional Socioambiental do PMDB. Na ocasião, criticou os países desenvolvidos: "Não é justo que nos cobrem, exclusivamente, as nossas obrigações e os nossos deveres para com a floresta. É necessário que nos remunerem, que nos dêem as condições para que o povo da floresta possa viver com dignidade."

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