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Eleições 2014

Amaral fala em responsabilidade de governar o País

BEATRIZ BULLA E DAIENE CARDOSO - Estadão Conteúdo

22 Agosto 2014 | 21h 05

Após entregar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o pedido de registro formal da nova chapa lançada pelo PSB, o presidente do partido, Roberto Amaral, assumiu nesta sexta-feira tom de conciliação entre os interesses dos socialistas e a atual candidata Marina Silva e afirmou que a morte trágica de Eduardo Campos representou "um novo junho" para o País. Na percepção de Amaral, o acidente de avião que matou o então candidato do PSB deu projeção ao programa do partido e já está se configurando em transferência de votos para Marina, com a capacidade de atrair a parte da população descrente da política tradicional.

"A tragédia significou um novo junho, no sentido de que despertou na população a necessidade de fazer política", disse Amaral, destacando indicadores que mostram a queda de intenções de votos nulos, brancos e de indecisos após a morte de Campos. "É uma grande esperança a mudança de atitude, de perplexidade dos jovens que estão readquirindo a esperança."

Amaral citou que as pesquisas mostram a transferência de votos da classe média para Marina Silva e disse que a morte de Campos fez o projeto se tornar mais forte e ganhar "contingentes da sociedade, mesmo do empresariado". "Antes sentíamos que estávamos disputando a campanha e que tínhamos condições de ir ao segundo turno. Hoje estamos convencidos de que paira sob nossos ombros a responsabilidade de governar o País a partir de 2015", definiu. Mesmo com tom otimista, o presidente avalia que é preciso esperar algumas semanas para, passada a comoção com a morte de Eduardo Campos, avaliar melhor as pesquisas eleitorais.

Coordenação

Em nota divulgada hoje, a direção nacional do PSB anunciou os indicados do partido para compor a nova formação da coordenação da campanha presidencial de Marina Silva. Além da deputada Luiza Erundina (SP) substituindo o secretário-geral da sigla, Carlos Siqueira, na coordenação-geral, o deputado Márcio França, presidente do PSB paulista e vice na chapa do governador Geraldo Alckmin (PSDB), passará a integrar o comitê financeiro ao lado de Bazileu Margarido, aliado de Marina. O adjunto de Erundina será o deputado licenciado Walter Feldman. O deputado federal Márcio França é secretário nacional de finanças do PSB e filiado à sigla desde 1988.

Já Milton Coelho, que cuidava da coordenação de Mobilização e Articulação Política, será substituído por Joilson Cardoso, filiado ao PSB desde 1989 e secretário Nacional de Movimento Sindical da legenda.

Na nota, Amaral afirma que as mudanças na coordenação da campanha "são impostas pela alteração da liderança de chapa". O presidente diz que respeita a decisão do Siqueira e de Milton, que deixaram suas funções alegando que tinham compromisso apenas com Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo na semana passada. "Respeito a renúncia e as declarações de Carlos Siqueira, quadro constituinte do PSB. Meu papel como presidente do partido é superar todas as divergências e construir a unidade partidária, fundamental para o projeto nacional", afirmou.

Siqueira deixou a campanha disparando contra Marina Silva, a quem acusou de tentar mandar no PSB. Hoje ele retomou suas funções na secretaria nacional da legenda e na presidência da Fundação João Mangabeira (FJM).

Material

O diretório nacional do PSB recomendou que todos os comitês regionais continuem utilizando o material de campanha da chapa presidencial Eduardo Campos e Marina Silva. Enquanto aguardam o deferimento pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do registro da candidatura de Marina como cabeça de chapa e de seu vice Beto Albuquerque, a ordem é utilizar folders, santinhos, adesivos, bandeiras e banners com a imagem de Campos até o material se esgotar. "Se depender de mim, uso o material do Eduardo até o último dia. É a memória de Eduardo, não tem por que recolher isso", disse o presidente do PSB.

Segundo o dirigente, a campanha só poderá utilizar novo material quando a situação de Marina e Beto for regularizada pelo TSE. Foi aberto um prazo de cinco dias no TSE para que os partidos peçam a impugnação da candidatura. Ao fim de cinco dias, o pedido de registro será encaminhado para um ministro que assumirá a relatoria do processo. O relator não tem prazo para analisar o pedido.

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