Alternativa para lista fechada acalma dissidentes do PT

Item é o mais polêmico da reforma política, que está em votação na Câmara

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h40

Os deputados do PT que encaminharam na quarta-feira ao Diretório Nacional do partido recurso contra a determinação da Executiva Nacional de fechar questão em favor do voto em lista fechada, na reforma política, resolveram retirar a reclamação, depois de uma reunião da bancada encerrada nesta quinta-feira, 14, na Câmara. Os petistas entenderam que não havia mais motivo para o recurso, porque foi acertado na reunião que o PT apresentará uma alternativa à lista fechada proposta pelo relator da reforma, deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO). A nova proposta será uma lista mais flexível, em que o eleitor vote no partido, mas também tenha a opção de votar no candidato de sua preferência. "Como eles recuaram, nós também recuamos, e não há mais motivo para recurso", afirmou o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que integra do grupo dos petistas contrários à lista fechada. Vaccarezza disse que a lista flexível é um modelo aceitável, mas insiste em que a reforma política não deve começar a ser votada pelo ponto mais polêmico, que é o sistema de lista. "O projeto de Caiado foi enterrado. Agora, temos condição de fazer a reforma política com calma, sem açodamento. Temos que discutir as leis de iniciativa popular, a fidelidade partidária. Não pode começar pela lista", afirmou Vaccarezza. ´Vitória de Pirro´ Caiado classificou como "uma vitória de Pirro" a dos grupos contrários à lista fechada de votação. A criação da lista é um dos pontos do projeto de reforma política, em tramitação na Câmara. Por causa da ação dos deputados contrários à lista, a sessão plenária terminou depois de dez horas de discussão sem que qualquer ponto da reforma política fosse votada. Caiado propõe o sistema de lista fechada, em que o eleitor vota no partido e não mais no candidato. As legendas se encarregam de elaborar a lista dos candidatos que devem ser eleitos. Durante todo o dia de ontem, ficou clara a divisão interna dos partidos em relação ao tema, o que inviabilizou a votação da proposta. "Foi uma vitória de Pirro, porque os defensores do atual sistema vão ter que explicar por que preferem um modelo que está exaurido, que produz escândalos e ingovernabilidade. Eles tentam satanizar a proposta da lista fechada. Isso não é inteligente", afirmou Caiado.

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