Aliados e oposição cobram relator para caso Renan

Processo está parado no Conselho desde a semana passada, quando Wellington Salgado renunciou ao posto

Agencia Estado

25 Junho 2007 | 15h55

Líderes da base governista e da oposição preparam-se para cobrar ainda nesta segunda-feira, 25, do presidente do conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, Sibá Machado (PT-AC), que defina logo o novo relator da representação do Psol contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). O exame do caso está parado no Conselho desde a semana passada, quando o relator substituto Wellington Salgado (PMDB-MG) renunciou ao posto. "Os próximos passos dependem do relator, que estabelece o rito de investigação, e o nome deve estar escolhido nesta segunda-feira", defende o líder do PSB, senador Renado Casagrande (ES). "Caso Sibá não consiga definir a escolha, terá que chamar uma reunião dos líderes para conversar e dividir responsabilidades", completa. Embora Renan tenha mudado de tática no Conselho e deixado claro que não tem mais nenhuma pressa em encerrar seu caso, Casagrande diz que não se pode adiar o resultado para depois do recesso parlamentar de julho, como já foi cogitado. "O Conselho tem de ter agilidade e resolver isto logo", cobra o líder. É o que também defende o líder do PDT, Jefferson Peres (PDT-AM), para quem a relatoria do caso Renan tem de ser resolvida o mais rápido possível. A idéia levantada pelo próprio Sibá na última semana, de nomear uma comissão de investigação para relatar o caso, composta por três senadores de partidos diferentes, agradou a oposição. "Uma comissão com um senador da oposição daria mais credibilidade à investigação", avalia Peres, que aguarda uma definição do Conselho até quarta-feira, 27. "Se está difícil arrumar um relator, como vão arrumar três?", indaga o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), descrente de que esta alternativa possa prosperar. Em conversas reservadas, os representantes do PSDB no Conselho têm defendido a tese de que o melhor caminho é "parar de inventar e começar a trabalhar". O líder tucano no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM), tem sido procurado por lideranças de outros partidos, sugerindo que se tire logo uma "posição estruturada" do caso Renan no Conselho, para que os equívocos não se repitam. Diante da pressão, o tucanato está convencido de que não será possível empurrar a conclusão do caso indefinidamente. "Todo mundo vai querer que conselho funcione", concorda Sérgio Guerra. Contaminação O grupo mais próximo de Renan está preocupado com as novas denúncias contra o senador Joaquim Roriz (PMDB-DF), flagrado em escuta telefônica discutindo o transporte e a suposta partilha de R$ 2,2 milhões, que teriam sido retirados do Banco de Brasília (BRB). Alguns aliados do presidente do Senado temem que as acusações contra outro peemedebista acabem contaminando o caso Renan e dificultando ainda mais sua defesa. O temor maior é de que os ataques a Roriz cristalizem a imagem negativa do Senado e caracterizem a necessidade de uma "faxina" na Casa, a começar da presidência. Nesta linha, o senador Jefferson Peres defende que o Senado peça à Polícia Federal que continue a fazer as perícias documentais nas provas apresentadas por Renan e investigue o caso. "A PF não pode abrir inquérito contra o senador, mas pode, sim, estar a serviço do Senado. Renan já é réu no Senado", argumenta o líder pedetista. "Tudo o que não se pode fazer é ficar paralisado, postergando os trabalhos para depois do recesso. Isto seria desmoralizante", pondera. "Com este volume de pressão, o Senado só tem duas alternativas: ou trata do assunto com sobriedade e eficiência, ou vai pelo ralo", adverte Sérgio Guerra. "O Conselho de Ética vai ter que tomar uma posição. Não pode ficar assistindo a essas denúncias sem fazer nada", insiste o tucano. Vácuo Mas há quem mantenha o otimismo. Linha de frente da defesa de Renan no Conselho, o senador Gilvan Borges (PMDB-AP) acredita que haverá "um vácuo" nos trabalhos do Conselho, no que se refere ao caso Renan e que a nova denúncia contra Roriz acabará "abrandando o clima" contra o presidente da Casa. Esta análise é compartilhada também por alguns tucanos e democratas que estão convencidos de que a pressão acabará diluída entre os dois casos. Mas todos acreditam que, no conjunto, o Senado sofrerá ainda mais desgaste diante da opinião pública com o caso Roriz. A avaliação predominante é de a que, quanto mais se generalizam as denúncias, pior para a imagem da instituição.

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