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Aliados de Dilma criticam mudança de discurso de FHC sobre CPI da Petrobrás

23 Março 2014 | 19h 01

Ex-presidente disse em nota neste domingo que o senador Aécio Neves deve conduzir o tema em nome do PSDB

BRASÍLIA - Aliados da presidente Dilma Rousseff no Congresso Nacional criticaram neste domingo, 23, a mudança do discurso do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que passou a apoiar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a compra da refinaria de Pasadena pela Petrobrás.

Em nota divulgada neste domingo, FHC afirmou que o senador Aécio Neves, presidente do partido e pré-candidato à Presidência da República, deve conduzir o tema em nome do PSDB, após a revelação feita pelo Estado de que a presidente Dilma Rousseff admitiu que desconhecia detalhes importantes do negócio, como uma cláusula que obrigava a estatal a comprar os 50% restantes da refinaria, se assim quisesse a sócia no empreendimento, a belga Astra. Antes, FHC defendia uma investigação técnica sobre o tema.

A base aliada trabalhará para abortar a tentativa da oposição de instalar a CPI às vésperas das eleições. Liderados por Aécio, os oposicionistas reúnem-se na tarde da próxima terça-feira, 25, para decidir se vão trabalhar para criar a comissão parlamentar. Para os aliados de Dilma, os oposicionistas querem palanque com CPI.

Um dos vice-presidentes do PT, o deputado federal André Vargas (PR), afirmou que não há um fato novo para justificar uma investigação parlamentar. Para Vargas, FHC, que sempre teve uma "postura mais equilibrada", está agora fazendo "política". "Tudo aquilo que ele não quis fazer, pressionado pelo Aécio Neves agora, está fazendo", disse o petista, que também é o primeiro vice-presidente da Câmara. "A oposição está radicalizando o discurso porque não consegue emplacar seus candidatos", completou.

O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), criticou a mudança de posição do ex-presidente. Para ele, a oposição quer "politizar" e "partidarizar" a Petrobrás. Ele disse que o Tribunal de Contas da União (TCU), a Controladoria Geral da União (CGU), o Ministério Público Federal e a Polícia Federal já investigam supostas denúncias de irregularidades envolvendo a estatal. O líder governista lembrou que as conclusões da CPI são encaminhadas para o próprio Ministério Público.

"Se nós fizermos uma CPI a esta altura do campeonato, vamos encaminhar para quem?", questionou Eduardo Braga. "Que tipo de investigação querem fazer sobre a presidenta Dilma? Já querer confundir alhos com bugalhos, a população brasileira não vai aceitar isso", criticou.

A base de Dilma é maioria tanto na Câmara quanto no Senado. Para se criar uma CPI mista, desejo dos oposicionistas, é preciso conseguir o apoio de, pelo menos, 171 deputados e 27 senadores.

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