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Aldo Rebelo diz que política não pode ser substituída pela toga

Ministro da Defesa não quis comentar a possibilidade de Tombini deixar o Banco Central com a entrada de Lula no governo; Rebelo ainda afirmou que Brasil não é um 'fracasso civilizatório'

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Victor Martins,
O Estado de S.Paulo

16 Março 2016 | 12h01

Brasília – O ministro da Defesa, Aldo Rebelo, fez um discurso inflamado em defesa da união do País em meio a crise política e econômica na manhã desta quarta-feira, 16. Durante evento de lançamento da Agenda Institucional do Cooperativismo, ele disse a uma plateia formada majoritariamente por políticos de oposição ao governo que “não se pode dividir o País entre esquerda e direita”. “Em nenhum momento desses do passado (outras crises) se criou um abismo entre os brasileiros”, afirmou. Ele também fez críticas ao Judiciário. “Se a política tem defeitos, se ela sofre processo de degradação, precisa ser corrigida e não substituída por aqueles que pensam que podem substituir a política pela toga”, disse.

Rebelo ainda argumentou que a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no governo é uma decisão que cabe a presidente Dilma Rousseff. Ele ainda se mostrou surpreso quando questionado sobre a possibilidade de o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, deixar o governo. “Não posso comentar sobre a situação de outro ministro, nós não conversamos sobre isso”, disse. Aos parlamentares no evento, ele afirmou que faz a leitura do Brasil pelo que deu errado e rebateu críticas de deputados ao afirmar que o Brasil “não é um fracasso civilizatório, onde tudo é corrupto”. Ele, inclusive, listou o que considera os pontos fortes do País: “Somos a sétima economia do mundo, os primeiros em agricultura e pecuária, temos uma indústria aeronáutica das mais modernas”, relatou.

Ele afirmou, em vários trechos de seu discurso, que os interesses que orientam o País não podem ser divididos pelas “querelas” das disputas partidárias e ideológicas. “Não divida o País entre esquerda e direita que o interesse nacional desaparece. No Código Florestal dividimos o País entre os interesses nacionais e os não-nacionais. Dividir o País entre pró-isso e pró-aquilo só levanta poeira”, argumentou. Ele disse ainda que seu discurso não tentava minimizar os interesses partidários e políticos e que ele os considera como necessários e legítimos. O ministro ainda fez um alerta sobre as alianças políticas que possam ser formadas em função da crise.

“As composições de hoje se tornam recomposições amanhã e o que é permanente é o interesse nacional. Por isso faço um apelo a serenidade”, argumentou. “Os governos até mudam, mas as acusações permanecem alterando apenas quem as faz e aqueles que delas se defendem. É preciso ter tranquilidade. Cada um deve cumprir seu papel”, disse. Rebelo ainda defendeu que em um País democrático não se pode viver sem situação e oposição e classificou a oposição como legítima. “Só não se pode superar o interesse nacional, esse não é passageiro, é permanente”, enfatizou.

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