Elza Fiuza/Agência Brasil
Elza Fiuza/Agência Brasil

Aldo quer orçamento permanente para Defesa

Novo ministro elogia Forças Armadas e defende manutenção de recursos para continuar projetos estratégicos

Lorenna Rodrigues, Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2015 | 02h04

BRASÍLIA - O novo ministro da Defesa, Aldo Rebelo, recebeu o cargo do ex-titular Jaques Wagner - que com a reforma ministerial foi para a Casa Civil - com um longo discurso elogioso às Forças Armadas e defendeu um orçamento permanente para a área. No mês passado, Wagner passou por um constrangimento entre os comandantes militares quando a presidente Dilma Rousseff assinou um decreto delegando ao titular da pasta a competência para assinar atos relativos a pessoal militar. Wagner teve de assinar uma portaria devolvendo a atribuição aos titulares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

Em sua fala, Rebelo também defendeu que sejam mantidos os recursos para a continuidade de projetos estratégicos para as três forças, como o submarino com propulsão nuclear, o sistema de proteção de fronteiras e compra dos novos caças. "O Brasil tem que ter Forças Armadas compatíveis com seu tamanho e expectativas do mundo", afirmou.

Rebelo não quis admitir que as Forças Armadas estejam passando por uma situação orçamentária desfavorável. "Eu vou lutar para preservar esses programas, para que eles não sejam comprometidos na sua essência e trabalhar com a adaptação à escassez de recursos."

Perguntado sobre a dificuldade da presidente Dilma Rousseff em recompor a base no Congresso mesmo após a reforma administrativa, Rebelo afirmou: "Política não se escreve por linhas retas, nem a vida".

O ministro afirmou ainda não crer que as últimas movimentações tenham deixado o impeachment mais perto. "Não há nenhuma acusação que justifique uma medida extrema contra a presidente da República."

Comunista. Questionado sobre o fato de um comunista assumir o comando das forças armadas, Rebelo disse que seu compromisso é sempre com o País. "Estou vindo para servir o Brasil".

Na cerimônia, uma das poucas ministras presentes foi a titular da pasta das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, Nilma Lino Gomes, que tem entre suas atribuições questões ligadas à perseguição política na ditadura militar.

Antes de sua fala, a mestre de cerimônias leu o currículo de Rebelo, dando destaque à sua filiação ao Partido Comunista do Brasil (PC do B) e ao fato de que o ministro foi eleito deputado federal por seis vezes pela legenda. Antes da reforma, ele ocupava o Ministério da Ciência e Tecnologia.

Rebelo falou por quase uma hora na cerimônia, na sede do Clube Naval, em Brasília. Durante seu discurso, um marinheiro, que segurava uma bandeira, passou mal. No restante do tempo, um militar com estetoscópio no pescoço acompanhou os outros responsáveis por segurar as bandeiras, para evitar um novo desmaio.

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