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Alckmin volta a dizer que espera 'investigação rápida' sobre cartel

Fabiana Cambricoli, de O Estado de S. Paulo

03 Janeiro 2014 | 16h 13

Declaração foi dada após 'Estado' revelar que executivo da Siemens recebeu ordem para destruir documentos de conta secreta

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), voltou a afirmar nesta sexta-feira, 03, que espera uma "investigação rápida" sobre o cartel no sistema metroferroviário paulista. Alckmin foi questionado sobre o depoimento de um executivo da Siemens à Polícia Federal. Ele contou ter recebido ordens para destruir documentos relativos a uma conta no paraíso fiscal de Luxemburgo que o próprio setor de compliance da empresa suspeita que tenha sido usada para pagar propina a agentes públicos no Brasil, conforme reportagem publicada nesta sexta pelo Estado.

"Nós queremos investigação rápida, profunda, que esclareça os casos. Houve cartel? Então, se houve, as empresas serão punidas, vão ressarcir o Estado. O Estado é vítima do cartel, aliás, infelizmente, nós temos na economia vários setores cartelizados, monopolizados. De outro lado, se tiver algum agente público (envolvido), de que nível for, será responsabilizado. Se ele estiver envolvido, ele será punido. Agora, o que nós precisamos é a conclusão das investigações", afirmou o governador, no Palácio dos Bandeirantes, durante evento em que anunciou a criação da primeira delegacia especializada para pessoas com deficiência.

No dia 29 de novembro, o gerente-geral da área de projetos corporativos da Siemens, Sergio de Bona, afirmou que recebeu instruções para destruir "todo e qualquer documento" relativo à conta bancária secreta mantida por ex-diretores da Siemens no Brasil.

O vice-chefe do setor de compliance da Siemens na Alemanha, Mark Gough, disse, também em depoimento à PF, haver suspeitas de que a conta era utilizada para pagar propina a agentes públicos no Brasil.

Por conter citações de pagamento de propinas a políticos com foro privilegiado, o inquérito que apura o caso foi enviado pela PF ao Supremo Tribunal Federal em dezembro. O STF aguarda parecer da Procuradoria-Geral da República para decidir se fica com o caso ou se o devolve à primeira instância.