Alckmin tenta manter hegemonia tucana em São Paulo

Tucano lança pré-candidatura ao governo paulista e vai tentar ajudar Serra

Silvia Amorim, O Estado de S.Paulo

07 Maio 2010 | 18h42

O ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, lançará no sábado, 8, sua pré-candidatura ao governo paulista com a missão de levar o PSDB à sua quinta gestão no Estado e de ajudar o presidenciável José Serra chegar à Presidência.

 

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A aposta será o discurso da importância de se ter uma parceria afinada entre São Paulo e o Brasil para avançar. Fará parte da estratégia também acusar o PT do presidente Lula de ter olhado pouco para os paulistas.

 

"É fácil criticar, agora o PSDB tem feito. O governo federal coloca dinheiro no metrô no Brasil inteiro, em seis ou sete capitais, e nenhum centavo em São Paulo", diz Alckmin, em entrevista ao Estado.

 

Aos 57 anos, o ex-governador diz que se sente mais preparado e maduro para retornar ao cargo e considera a experiência seu maior diferencial em relação ao adversário, o senador Aloizio Mercadante (PT). Promete um governo de continuidade com "inovações".

 

Com uma história recente de disputa e desgaste dentro do próprio partido - Alckmin disputou as eleições de 2006 e 2008 com parte do PSDB trabalhando contra - , o pré-candidato atribui a volta por cima ao "povo". Ressalta a união do tucanato neste ano e prefere um tom diplomático ao falar do passado. "É natural que as pessoas tenham opções."

 

A seguir a entrevista:

 

Por que ser governador de novo?

 

Eu me sinto mais preparado, mais experiente para promover avanços ainda maiores. Entendo que o PSDB, nesse período que governou São Paulo, deu certo. A melhor prova disso foi que no ano passado o governo investiu mais de R$ 19 bilhões. Quem viu o governo do Estado 15 anos atrás praticamente com capacidade de investimento negativa, obras paradas, Banespa sob intervenção, o Estado com dívida. Acho que o PSDB em São Paulo estabeleceu um novo paradigma de gestão. Há desafios, mas avançou muito.

 

O que considera ser seu maior diferencial em relação ao Mercadante?

 

Eu vejo a questão da experiência. Nós temos uma experiência bem-sucedida no Estado. Para dar um exemplo, foram 33 hospitais novos. Nenhum funcionário público. E aqui há uma diferença. O PT entende que tem que ser estatal. Nós entendemos que tem que ser público, agora, o gerenciamento você pode ter um parceiro do terceiro setor.

 

O governo Serra enfrentou dificuldades com o funcionalismo. O episódio mais recente foi a greve dos professores. O PSDB tem cometido equívoco?

 

Fui governador 5 anos e meio e não tivemos nenhuma greve de professores. Essa greve teve inegavelmente uma motivação eleitoral. Há que se separar reivindicações justas, mas acho que temos avançado. Na educação, São Paulo foi um dos primeiros a estabelecer a meritocracia.

 

O sr. é a favor da política de bônus?

 

Sou e vou mantê-las. O bônus começou conosco.

 

O sr. fala em governo da continuidade com inovações, Como será isso?

 

É investir na qualidade do serviço público. Na educação, você universalizou, não tem criança fora da escola. Agora é avançar na qualidade, estímulo ao professor, maior tempo da criança na escola. Na saúde demos passos importantes, mas há que se dar outros. Vamos investir muito na prevenção e no tratamento do câncer e, na saúde mental, vamos ampliar os convênios.

 

E no desenvolvimento da economia?

 

Eu destacaria aí a inovação tecnológica e os parques tecnológicos, que vamos estimular para termos mais de 30. Hoje são três ou quatro implantados. Por outro lado, apoiar a empresa de fundo de quintal. Eu reduzi impostos. São Paulo tem o menor ICMS do País para o álcool. Outra medida que pretendo ampliar é a Nota Fiscal Paulista.

 

Como avalia a atuação do PSDB na segurança pública? As estatísticas mostram um aumento dos homicídios e roubos no início deste ano.

 

Um dos grandes trabalhos que fizemos foi na segurança pública. São Paulo tinha, em 2000, 12.800 homicídios. Foram 4.600 no ano passado. Esse primeiro trimestre teve uma subida, mas não dá para dizer que é uma tendência. Em 1997, o Estado era o quinto do Brasil em homicídios. Em 2007, foi 25º. Se você me perguntar se estamos satisfeitos, eu digo não. Agora, segurança também é um problema federal.

 

Todas as ações que propõe já existem. Quais são as inovações?

 

Você sempre traz novos passos. Isso é uma sequência de trabalho. Parque tecnológico está começando. Mas vai passar a ter escala. Os avanços precisam ser sucessivos. Eu diria que esse tem sido o sucesso do PSDB. O Rodoanel precisa ter continuidade e nós vamos fazer o possível para entregar as duas asas. Uma outra que não começou, porque depende do governo federal, mas eu pretendo participar, é o ferroanel. Vamos implantar uma rede de dutovias no Estado.

 

São projetos que se fala há anos. O que fará para viabilizá-los?

 

No alcooduto, vamos trabalhar para acelerar a aprovação ambiental, dar crédito e estímulo fiscal. O ferroanel é federal. Esperamos que o Serra chegando lá essa será uma das boas parcerias com São Paulo.

 

O sr. promete muitos investimentos. De onde virão os recursos, já que a capacidade de fazer empréstimo de SP está reduzida?

 

Ainda tem espaço para financiamentos. Ajuste fiscal também é um trabalho permanente e o mais importante é o crescimento da economia.

 

O PT critica a redução da participação de SP no PIB nacional.

 

Primeiro, nós não devemos ser contra que os Estados pobres cresçam. Isso é importante para o País. Por outro lado, Estado vem já há cinco anos crescendo acima da média do PIB brasileiro.

 

O PT também acusa o PSDB de não apresentar nada novo no Estado.

 

Todos os avanços da gestão pública em São Paulo foram do PSDB. Aliás no governo federal também. Qual o mérito do governo Lula? Foi dar sequência a uma macropolítica econômica do presidente Fernando Henrique. Nós vamos fazer avanços na gestão sob o ponto de vista do desenvolvimento do Estado e da qualidade dos serviços públicos.

 

Mercadante diz que o PSDB pouco agiu para melhorar o trânsito.

 

É fácil criticar, agora o PSDB tem feito. Hoje nós temos três obras simultâneas de metrô. Das dez melhoras estradas do Brasil, São Paulo tem as dez. Um fato que chama a atenção é que o governo federal coloca dinheiro no metrô no Brasil inteiro, em seis ou sete capitais, e nenhum centavo em São Paulo. No mundo inteiro nas regiões metropolitanas você tem recursos do governo central.

 

A que o sr. atribui isso?

 

Estou apenas constatando e acho que é injusto. Por que não coloca onde você tem mais necessidade? É a quarta cidade do mundo.

 

Essa eleição é a reafirmação da liderança de Alckmin no Estado?

 

Não é a liderança pessoal, mas a oportunidade de servir o povo.

 

Depois das disputas e desgastes no partido, o que foi decisivo para chegar a essa candidatura?

 

O povo, a população de São Paulo. O povo é muito fiel. O povo tem memória. O PSDB está totalmente unido e consciente de uma responsabilidade histórica. Nesta eleição somos favoritos no quadro nacional.

 

Há setores do partido que não queriam o sr. candidato. O próprio governador Alberto Goldman disse isso em público. O sr. espera apoio dele?

 

É natural que as pessoas tenham opções. Faz parte da vida política. Você vai num processo de aproximações sucessivas. Quem apostar na divisão do PSDB vai perder.

 

Há ressentimentos?

 

Não existe isso. Em partido grande é natural que hajam divergências.

 

O sr. tem planos presidenciais?

 

O meu sonho é ser um bom governador. O futuro a Deus pertence. Quero ajudar nosso Estado e o Serra para que chegue lá. O Serra é o líder que o Brasil precisa neste momento. Lula é Lula. Dilma é Dilma. Serra é Serra. Experiência não passa por osmose.

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