Alckmin promete oposição light, mas cobrará recursos

Dono da principal vitrine tucana, ele levará ao Planalto lista de pedidos para sanar gargalos de infraestrutura com dinheiro federal

Roberto Almeida, O Estado de S. Paulo

31 Dezembro 2010 | 23h00

Eleito ainda no primeiro turno, Geraldo Alckmin (PSDB) toma posse hoje no Palácio dos Bandeirantes prometendo cooperação e oposição "light" à presidente Dilma Rousseff. Em contrapartida, leva listas de demandas ao Planalto para não deixar o projeto presidencial do PSDB esbarrar em questões financeiras.

 

A primeira lista, com pedidos imediatos, pretende sanar gargalos de infraestrutura com dinheiro federal. Alckmin, entusiasta das parcerias público-privadas (PPPs), quer do Planalto financiamentos domésticos para metrô e trem, além de ajuda para conseguir dinheiro no exterior. O desejo é por aporte direto, e não via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

 

São dois os principais calos tucanos na área de transportes, que precisam de solução urgente: a linha 4-amarela, vítima da cratera e do cronograma atrasado, e a linha 5-lilás, que deve sofrer com longo atraso por problema na licitação. O orçamento de 2011 para a Secretaria de Transportes Metropolitanos, responsável pelas obras, ficou em R$ 4,5 bilhões - o maior da futura gestão. "Vamos nos concentrar aí", avisa o tucano.

 

O objetivo é tentar apagar a imagem negativa, ligada à lentidão da construção das linhas e às denúncias, que deram margem para especulações sobre corrupção. Para isso, Alckmin escalou um antigo aliado para cumprir a missão. Jurandir Fernandes, seu ex-secretário de Transportes Metropolitanos, buscará reverter o quadro estadual.

 

Além de concluir ambas até 2014 como parte do pacote do transporte estadual, Fernandes está incumbido de abrir nova PPP para construção de um trem para ligar Guarulhos ao centro de São Paulo, com custo estimado de R$ 1 bilhão. A iniciativa é sua promessa de campanha.

 

Alckmin precisa ainda de mais composições para a linha 3-vermelha, que vai até Itaquera, onde deve ficar o estádio da capital paulista para a Copa de 2014. A situação, ainda indefinida, é incômoda para o tucano.

 

"Há alguns problemas, como o da Copa do Mundo, que é um problema sério e precisamos equacionar rapidamente", reiterou outro secretário de confiança de Alckmin, o deputado Emanuel Fernandes (Planejamento). Em contrapartida aos investimentos, e em consonância com um discurso de "parceria", Alckmin diz que ajudaria na ampliação do Aeroporto de Viracopos, em Campinas, como terceira opção paulista para a Copa - desde que o governo federal invista na construção do terceiro terminal de Cumbica.

 

O governador eleito de São Paulo leva em sua segunda lista de demandas a Dilma um pedido de revisão do indexador da dívida paulista e um aviso de que entrará na briga pelos royalties do pré-sal. Hoje o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), mais 6% de juros, é utilizado como base para o cálculo. Neste ano, o Estado pagou R$ 9 bi, ou 13% da receita corrente líquida, para amortização.

 

"A dívida sofre muito com as oscilações repentinas do IGP-DI", disse o futuro secretário da Fazenda, Andrea Calabi. Não houve aceno federal, no entanto, em relação à mudança do indexador. Ainda de olhos nas finanças futuras, Alckmin escalou o novo procurador-geral do Estado, Elival da Silva Ramos, para estudar a partilha dos royalties do pré-sal. A pedido do tucano, São Paulo passará a integrar o G7 - grupo de Estados interessados na questão. Após sua posse, Alckmin vai a Brasília participar da festa da presidente Dilma Rousseff.

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