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cartel de trens

Alckmin nega relação entre investigação de cartel e demissão de ex-diretor

Caio do Valle e Ricardo Chapola - O Estado de S. Paulo

17 Janeiro 2014 | 13h 56

Benedito Dantas Chiaradia, titular de vários cargos de chefia em estatais dos governos tucanos em SP, foi exonerado após falar sobre propina em depoimento à PF; 'Não há relação', rebate o governador

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) negou nesta sexta-feira, 17, que a demissão de Benedito Dantas Chiaradia do alto escalão do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) tenha relação com o fato de ter citado pagamento de propina a agentes públicos em depoimento à Polícia Federal no inquérito sobre o cartel de trens em São Paulo.

"Não há nenhuma relação. É um cargo de confiança do próprio DAEE. Nenhuma relação. Em cargo de confiança não há nenhuma razão específica", afirmou Alckmin em evento realizado no Palácio dos Bandeirantes, na zona sul da capital.

Em seu depoimento prestado em 14 de novembro à PF, Chiaradia disse que ouviu de pessoas da área metroferroviária relatos sobre pagamento de propina a agentes públicos.

Ex-diretor da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) entre 1999 e 2002, Chiaradia afirmou que o consultor Arthur Teixeira era apontado como intermediador das empresas do cartel. Ele viabilizava, segundo os relatos que diz ter ouvido, o pagamento de propina para o hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Robson Marinho, chefe da Casa Civil do governo Mário Covas nos anos 1990, e para servidores da CPTM e do Metrô.

Alckmin disse que ainda não é possível definir o tamanho do prejuízo sofrido pelo Estado após contratar os serviços das empresas acusadas de formação de cartel.

"A avaliação de número, essa é a última fase do processo. O Cade não disse ainda nem se houve cartel. Ele não concluiu a investigação. Ele apenas abriu a investigação. Como é que se exige uma mensuração se nem tem ainda comprovação de cartel?", questionou o governador. "Seria uma total irresponsabilidade".

A autarquia afirmou, em nota, que Chiaradia "foi afastado do cargo por estar sendo investigado pela Polícia Federal".

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