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Alckmin nega ligação entre depoimento e demissão

CAIO DO VALLE E RICARDO CHAPOLA - Agência Estado

18 Janeiro 2014 | 08h 37

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou ontem (17) que a demissão de Benedito Dantas Chiaradia do alto escalão do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) "não tem nenhuma relação" com o depoimento que ele prestou à Polícia Federal, em novembro, no inquérito sobre o cartel de trens em São Paulo. A saída da autarquia ocorreu um mês depois.

"Não há nenhuma relação. Era um cargo de confiança do próprio DAEE e ele saiu. Nenhuma relação", disse Alckmin, após anunciar a ampliação do investimento no convênio com Apaes no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. "Eu nem tinha conhecimento de que ele estava no DAEE. Não tem nenhuma razão específica (a demissão)", reforçou o tucano.

O Estado revelou ontem (17) o conteúdo do depoimento prestado por Chiaradia em 14 de novembro. Ele disse à PF ter ouvido de pessoas do setor metroferroviário relatos sobre pagamento de propina a agentes públicos. Diretor da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) de 1999 a 2002, Chiaradia afirmou aos policiais que o consultor Arthur Teixeira era apontado como intermediador das empresas do cartel e responsável por pagar as propinas.

Chiaradia ocupava um cargo de direção no DAEE, autarquia do governo paulista, e foi exonerado no dia 20 de dezembro. Ao Estado o DAEE afirmou anteontem (16) que demitiu o diretor pelo fato de ele estar sendo investigado. Chiaradia foi um dos signatários de um dos três contratos da CPTM que a Siemens denunciou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) - a empresa alemã admitiu os acertos prévios em licitações para tentar reduzir futuras sanções. Há mais três contratos sob suspeita, nos metrôs de São Paulo e de Brasília. Chiaradia, no entanto, não foi indiciado porque a Polícia Federal não encontrou problemas em suas movimentações financeiras.

A Polícia Federal tem em mãos três depoimentos que citam propina. Além do relato de Chiaradia, a PF ouviu do ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer que a propina era paga para diretores de estatais e políticos - três deles secretários de Alckmin que ainda permanecem no cargo. O outro depoimento que cita propina foi do diretor da Siemens Mark Gough - ele diz que o comando da empresa na Alemanha desconfiava de corrupção.

O inquérito dos trens, aberto em 2008, está no Supremo Tribunal Federal - os secretários tucanos Edson Aparecido (Casa Civil) e José Aníbal (Energia), além de Rodrigo Garcia (Desenvolvimento Econômico), do DEM, são deputados licenciados e têm foro privilegiado.

Prejuízos

Alckmin afirmou que ainda não é possível definir o tamanho do prejuízo sofrido pelo Estado em consequência da atuação do suposto cartel.

O governo estadual entrou com uma ação na Justiça na qual pede ressarcimento das empresas do cartel por eventuais danos ao Estado. A ação, porém, está parada porque a Justiça diz que nada pode fazer sem ter em mãos os valores que teriam sido pagos a mais. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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