Alckmin mantém no cargo dois secretários

Governador eleito rejeita pressões e confirma Antonio Ferreira Pinto na Segurança; Lourival Gomes seguirá na Administração Penitenciária

Bruno Tavares e Marcelo Godoy, de O Estado de S.Paulo,

16 Dezembro 2010 | 23h01

SÃO PAULO - O governador eleito Geraldo Alckmin (PSDB) decidiu manter os secretários Antônio Ferreira Pinto (Segurança Pública) e Lourival Gomes (Administração Penitenciária). O anúncio desfez um dos maiores dilemas do futuro governador: o nome de Ferreira Pinto enfrentava resistência de amigos de Alckmin, de deputados do PSDB e do PTB. Em jogo estava uma das mais poderosas pastas do Estado (R$ 11,2 bilhões em 2010), calcanhar de aquiles da primeira metade da gestão José Serra (PSDB).

 

O que os adversários da continuidade não conseguiram foi chegar a um consenso sobre um nome - na polícia, dizia-se que até a banda podre tinha seus candidatos e os financiava. Os desafetos de Ferreira Pinto não tinham como justificar a saída de alguém que aumentou em 35% as investigações sobre corrupção na polícia, afastou delegados e coronéis e manteve controlado o crime organizado. O Estado ainda pode fechar 2010 com menos de 10 homicídios por 100 mil habitantes, menor número da série histórica iniciada em 1996.

 

Retirar Ferreira Pinto significava ainda ter de achar um ocupante para outro cargo: o da Administração Penitenciária. Lourival Gomes dificilmente permaneceria sem a permanência do amigo. A estreita relação entre os dois resolve para Alckmin o que foi um dos maiores problemas de seu governo: a briga entre Saulo Abreu (Segurança) e Nagashi Furukawa (Administração Penitenciária).

 

Era meia-noite de quarta-feira quando Ferreira Pinto recebeu um telefonema de Alckmin. Era um convite para um café da manhã na companhia de Gomes e do governador eleito no centro de São Paulo. Alckmin pediu a Ferreira Pinto que melhore o atendimento à população nos plantões das delegacias de polícia. Também elogiou o trabalho de combate à corrupção e ao crime organizado.

 

Para o governador eleito, já estava superado o episódio que quase o fez desistir de Ferreira Pinto: a divulgação de informações sobre supostos lobbies contra o secretário. Seus desafetos alegaram que ele não podia permanecer, pois teria tentado emparedar o governador. Mas Ferreira Pinto convenceu Alckmin de que não havia sido o responsável pelo episódio.

 

Para tanto, contou como aliados três parlamentares tucanos: os deputados estaduais Pedro Tobias e Vaz de Lima e o federal Carlos Sampaio. Teve ainda o apoio do senador eleito Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), com quem mantém boa relação, anterior à presença de ambos no secretariado de José Serra (PSDB).

 

Detran

 

Um dos alvos das investigações de Ferreira Pinto, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) vai sair de sua pasta. Depois de ser alvo de uma devassa em todos os seus contratos, ele será transferido para a secretaria de Gestão Pública. Cerca de 400 delegados voltarão para a atividade da polícia.

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