Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Alckmin diz que aceita assumir comando do PSDB em nome de unidade partidária

'Se for esse o caminho para unir o partido, nosso nome está à disposição', afirmou o governador de São Paulo

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2017 | 23h28

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, aceitou nesta segunda-feira, 27, comandar o PSDB. O novo presidente da legenda será oficialmente definido na convenção nacional do partido, marcada para o próximo dia 9, em Brasília. O senador Tasso Jereissati (CE) e o governador de Goiás, Marconi Perillo, desistiram da disputa e, com o gesto, abriram caminho para Alckmin assumir a legenda, buscar a unificação da sigla e fortalecer seu nome como eventual candidato à Presidência da República em 2018.

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“Ambos (Tasso e Perillo) disseram que abririam mão se eu tivesse disposição de participar do processo de escolha. Eu agradeci a generosidade e o desprendimento. Se meu nome puder unir o partido, como vigoroso instrumento de mudança para o Brasil, é o nosso dever”, disse Alckmin após jantar no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, com Tasso, Perillo e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. 

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A articulação para evitar uma disputa interna entre a ala dos “cabeças pretas” – representada por Tasso e crítica ao presidente Michel Temer – e a dos “cabeças brancas” – de Perillo, que defende o peemedebista – foi coordenada por FHC.

A movimentação pró-Alckmin busca uma solução para o impasse que quase levou o PSDB à implosão após o presidente licenciado, Aécio Neves (MG), destituir Tasso do comando interino da legenda e substituí-lo pelo ex-governador Alberto Goldman.

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Diante da insistência dos jornalistas sobre se sua declaração significava a aceitação do cargo, o governador respondeu: “Topo”. “Se for esse o caminho para unir o partido, nosso nome está à disposição”, afirmou Alckmin. O governador foi questionado também sobre sua posição em relação ao desembarque do PSDB da gestão Temer. “Minha posição nunca mudou. Sempre achei que não devia ter entrado, mas a decisão majoritária na época foi outra”, afirmou.

Entre os tucanos uma aliança com o PMDB não está descartada, mas uma eventual defesa do governo na campanha é uma questão que ainda divide o partido. Apesar do posicionamento de Alckmin, o Palácio do Planalto, com o acordo que vai evitar um confronto pelo comando do PSDB, vê agora brecha para uma possível composição eleitoral no próximo ano.

Conforme mostrou o Estado no sábado, Temer articula uma frente de centro-direita para defender sua gestão e tentar isolar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A aliança seria formada pelo PMDB e mais seis partidos, incluindo o PSDB – mas Alckmin, à frente do partido, terá de se reaproximar do partido de Temer.

Realinhamento. No momento, porém, o PSDB busca um realinhamento interno. “Minha decisão foi uma maneira de pacificar o partido”, disse Tasso ontem, pouco antes do encontro nos Bandeirantes. Questionado sobre o espaço que o grupo de Aécio deve ter na composição da Executiva tucana, ele criticou a ala do senador mineiro. “Espero que alguns setores do partido não tenham participação nenhuma, porque foram os responsáveis pela falta de credibilidade do PSDB”, afirmou.

Perillo já havia indicado que aceitaria uma candidatura de consenso e bateu o martelo neste domingo, 26, em um encontro com Alckmin. “Vou abrir mão para preservar a unidade do partido”, disse Perillo ao Estado. O governador goiano afirmou que “não vê problema” de a legenda defender o “legado de coisas que estão sendo bem feitas” no governo Temer.

Segundo dirigentes tucanos, uma das possibilidades é Perillo assumir a primeira-vice-presidência nacional e ter papel de destaque na montagem dos palanques estaduais do PSDB em 2018. Tasso negou ter interesse em participar da Executiva.

Mais cedo, o prefeito de São Paulo, João Doria, também disse que “Geraldo é um nome pacificador”. Questionado durante fórum promovido pela revista Veja sobre as eleições de 2018, disse que “tem muita água pela frente ainda”. “Quem tem de dizer é a população (sobre uma eventual candidatura sua ao Planalto), o eleitor é quem decidirá se um candidato pode disputar”, afirmou. “O Brasil precisa de uma candidatura de centro.”

Assim como ocorreu com o senador Aécio Neves em 2014, Alckmin poderá disputar o Planalto em 2018 na condição de presidente do partido. / COLABORARAM EDUARDO LAGUNA, FRANCISCO CARLOS DE ASSIS e ADRIANA FERRAZ

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