Ciete Silva/Divulgação
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Alckmin diverge de estratégia de pressionar o TSE contra Dilma

Governador de São Paulo negou divisão no partido sobre um possível afastamento de Dilma Rousseff mas se manifestou contra a pressão na Justiça Eleitoral

Pedro Venceslau e Ana Fernandes, O Estado de S. Paulo

07 Julho 2015 | 18h07

São Paulo - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), divergiu abertamente da estratégia traçada pela cúpula do PSDB de pressionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que casse o diploma da presidente Dilma Rousseff (PT) e de seu vice, Michel Temer. Tramita no Tribunal desde o final do ano passado uma ação do partido que pede a cassação do diploma por abuso do poder econômico e político.

"Não cabe nenhuma pressão ao TSE, que é outro poder. Não temos que pressionar ninguém" , disse o governador nesta terça-feira, 7, na saída de um evento do setor sucroalcooleiro na capital. Na 12°Convenção Nacional do PSDB, que aconteceu domingo em Brasília, os líderes tucanos no Senado e na Câmara adotaram a estratégia de trocar o mote do impeachment pela realização de novas eleições. A ideia da sigla é colocar o TSE no centro da crise e jogar os holofotes da opinião pública no julgamento da ação.

Apesar da declaração, Alckmin negou que o PSDB esteja rachado. "Não existe divisão no PSDB. Nós somos cumpridores da Constituição". Se o TSE votar pela cassação e a decisão for referendada pelo STF, Dilma deixaria o cargo e seriam realizadas novas eleições em três meses.

Nesse cenário, Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Câmara, assumiria o comando do País por um trimestre. 

Constituição. O governador também riu constrangido ao ser questionado no evento do setor sucroalcooleiro Ethanol Summit sobre um possível afastamento da presidente Dilma Rousseff do governo. Alckmin fazia uma crítica ao ajuste fiscal, dizendo que ajuste não é política econômica e que o País precisa "para ontem" de medidas para induzir o crescimento econômico. O apresentador William Waack, então, questionou se o próximo governo tem que vir mais rapidamente.

Após uma pausa, o governador tucano respondeu apontando para os companheiros de debate, governadores também tucanos Beto Richa (PR) e Marconi Perillo (GO): "Somos cumpridores da Constituição". "Os fatos vão determinar o futuro, nós temos que cumprir a Constituição", insistiu.

A Alckmin não interessaria uma saída de afastamento da presidente por cassação da chapa, que levaria à convocação de novas eleições com Aécio Neves provavelmente ressurgindo como nome do PSDB. Ainda assim, o governador subiu o tom das críticas à presidente como fizeram outros tucanos desde a convenção do PSDB, no domingo, 5.

Mais cedo nesta terça-feira, o governador disse que a presidente Dilma Rousseff foi "infeliz" nas críticas que fez à oposição em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. 

Nesta tarde, no Ethanol Summit, além do que chamou de "pitaco" ao ajuste fiscal, Alckmin criticou a alta de juros e de impostos. Disse que o Brasil passou da inflação ao "impostão", com aumento na carga tributária equivalente a 0,9 ponto porcentual do PIB, sendo que a carga extra é destinada à União e não a Estados e municípios.

Alckmin e os outros dois governadores criticaram também a estratégia do governo no passado de congelar preços da gasolina, política que chamaram de "desastrosa", com efeitos "devastadores" sobre o setor do etanol.

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