Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Alckmin come quieto

Governador paulista adota na disputa pela presidência do PSDB a mesma estratégia que se mostrou certeira na guerra fria que travou com João Doria pela candidatura presidencial: o silêncio público

Vera Magalhães, O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2017 | 03h00

Geraldo Alckmin adota na disputa pela presidência do PSDB a mesma estratégia que se mostrou certeira na guerra fria que travou com João Doria pela candidatura presidencial: o silêncio público, na expectativa de que os contendores se inviabilizem sozinhos e ele seja vencedor por pontos.

Depois de, meses atrás, demonstrar apreço pela candidatura do também governador Marconi Perillo, o paulista liberou aliados nas últimas semanas para levarem água para o moinho de Tasso Jereissati.

Alguns fatores pesaram para isso: a constatação de que o senador tem trânsito no Nordeste e com a ala “jovem” do PSDB, cobiçada por Alckmin para seu projeto presidencial; a concordância entre eles quanto à necessidade de deixar o governo Michel Temer; e, por fim, o alerta recebido de seu grupo de que Marconi tem “telhado de vidro” e pode ser alcançado pela Lava Jato, com potencial para se tornar um novo Aécio Neves.

Assim, Alckmin não dará apoio público a nenhum deles, e pessoas próximas não descartam que, caso ninguém decole ou a disputa desande para uma guerra entre grupos, caia no colo do próprio governador de São Paulo a missão de acumular o comando do partido e a postulação presidencial, como ocorreu com Aécio em 2014.

SÃO PAULO

Serra costura aliança com Kassab e Skaf

Também na própria sucessão Alckmin age com cautela. Embora ainda prefira a candidatura de Luiz Felipe d’Avila, o governador assiste impassível à costura intensiva de José Serra para tentar voltar ao Bandeirantes. O senador, por sua vez, aposta numa aliança com o PSD de Gilberto Kassab e o PMDB, acenando com a vaga ao Senado para Paulo Skaf. A interlocutores Alckmin já manifestou a opinião de que Serra – às voltas com a Lava Jato – tem poucas chances de vitória, mas, ao menos por ora, não vai tentar impor obstáculos à sua postulação.

2018 É JÁ

PP sela aproximação com tucanos em festa

E no sábado a cúpula do PP paulista se reúne na fazenda do presidente estadual da sigla, Guilherme Mussi. Além de comemorar o aniversário do deputado, o evento vai selar previamente a aliança do partido com o PSDB para 2018, que deve valer não só para São Paulo, mas se estender à disputa nacional. Estarão lá os dois pré-candidatos ao Planalto: Alckmin e Doria.

LAVA JATO

Defesa de ex-petista tenta fechar acordo em Curitiba

Diante da dificuldade de avançar com o acordo de delação premiada de Palocci em Brasília depois da troca da guarda na Procuradoria-Geral da União, a defesa do ex-ministro faz uma investida para que a colaboração seja encaminhada pela força-tarefa em Curitiba para homologação, ao menos de parte dos anexos, pelo juiz Sérgio Moro. Isso deixaria de fora, num primeiro momento, autoridades com foro.

SUPREMO

Fachin deixa ministros na ‘geladeira’ com Temer

Na decisão em que desmembrou as denúncias oferecidas contra Michel Temer por Rodrigo Janot, enviando à primeira instância pedidos de processo contra acusados sem foro privilegiado, o ministro Edson Fachin, do STF, usou uma jurisprudência dos anos 90 para manter os casos de Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral) “congelados”. As denúncias contra os ministros ficam “suspensas enquanto durar o mandato presidencial”, decidiu o relator da Lava Jato.

‘AVANÇAR’

Governo lança programa que ‘reempacota’ obras

Anunciado primeiramente há cinco meses, finalmente será lançado amanhã o programa “Avançar”. Se o nome já é uma releitura do “Avança Brasil” do governo FHC, o conteúdo também não será nada inédito: a ideia é reempacotar obras de infraestrutura e iniciativas das pastas. Responsáveis pelos ministérios se reúnem hoje para selar o plano de comunicação do programa, com o qual o governo tenta sair das cordas.

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